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Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

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23
Out18

Vamos falar sobre... maquilhagem

Ai a maquilhagem! Aquelas fotos exuberantes do Instagram com aquele olho poderoso, aquele tutorial da Helena Coelho ou da Rita Serrano que nos deixa a pensar "mas estas mulheres são o quê, caraças? Um poço de divindade?". 

Como sabem, eu sou uma amante nata de maquilhagem ao ponto de saber no meu interior que se entrar numa loja de maquilhagem, será o fim da saúde do meu cartão multibanco. Eu sei que se eu entro, eu vou levar qualquer coisa e vou-me arrepender mais à frente, mas ao mesmo tempo agradecer quando estiver bem de finanças outra vez pelas compras fantásticas que fiz.

Este fim de semana respondi à tag dos meus 10 segredos de maquilhagem, e uma das perguntas falava da minha opinião da maquilhagem. Eu deixei-a muito vaga, até porque senti que precisava de falar disto abertamente num post, dando completa atenção ao tópico, para não cansar as pessoas com o testamento de resposta, mas também porque a temática merece o seu destaque.

Como qualquer questão relativa ao mundo da Moda e da Beleza, é algo polémico. O uso de maquilhagem é encarado por muitos como uma forma de mascarar a insegurança e uma demonstração do quão somos incapazes de aceitar quem somos.

Recentemente, eu e a Sofia tivemos uma conversa acerca do tema e chegámos à conclusão que temos visões acerca do assunto bastante semelhantes, senão iguais mesmo. Ela até chegou a fazer um post muito interessante sobre a visão dela pegando em fragmentos de conversas com as amigas (se estiverem interessados, o que acredito que estejam, é só clicar aqui), mas hoje eu estou aqui para explorar outros pontos que tenho vindo a conhecer ao longo dos tempos.

Para o melhor ou para o pior, dependendo do ponto de vista, a maquilhagem faz parte de qualquer pessoa e está no nosso dia a dia, independentemente de serem consumidores ou consumidoras desta indústria, ou de serem contra ou a favor do seu uso, ou até mesmo do próprio sexo, está connosco e sempre estará. Todos temos a mãe, a irmã, a prima, a tia, a sobrinha, a nora, a sogra, a amiga, a vizinha, a colega de trabalho ou a senhora que nos serve o café cada vez que vamos tomá-lo fora, que usa maquilhagem, sendo ela subtil ou full glam mesmo dando aquele CHEGUEI bem básico. 

A maquilhagem pode ser utilizada para realmente esconder marcas, para esconder inseguranças e até problemas de autoestima, e sabem que mais? Qual é o problema disso? Vocês gostam das olheiras de panda que têm? Sentem-se confortáveis com elas? Se sim, fico muito feliz por vocês, eu sofro delas e não gosto lá muito (ainda que não seja o exemplo da insegurança em pessoa neste aspeto). Agora, mas se eu posso ficar mais satisfeita quando olho ao espelho e ser mais feliz ao melhorar-me, que pode haver de errado com isso? Quê, agora não posso querer ser melhor ou pelo menos sentir-me mais feliz com a minha aparência porque estou a tentar esconder-me por trás de um montão de químicos? 

Considero que temos que nos sentir bem na nossa pele, isso vem acima de tudo. O princípio de que usar maquilhagem porque temos vergonha da nossa aparência é, deveras um princípio não muito correto, até porque devemos aceitar quem somos. Ainda assim não sou contra, porque se torna uma pessoa mais segura de si mesma (até porque realmente é assim que qualquer mulher se sente com aquele batom vermelho mesmo ali podendo - poderosa). Aceita a pessoa que somos é todo um processo extenso e cheio de altos e baixos, demora algum tempo, e ainda que seja uma fase necessária no processo de autoestima, não devemos esquecer que durante esse processo a pessoa está a sofrer, porque não ajudar.

Acima de tudo, a maquilhagem hoje em dia é muito mais que um meio de nos tornar mais "bonitas" ou mais "poderosas" ou até mesmo mais "girboss". É uma forma de nos exprimirmos, é como um monte de tintas e pincéis que pintam a tela em branco que é a nossa cara.

Recentemente deparei-me com rapazes que usavam maquilhagem e confesso ter achado um pouco estranho ao princípio, mas depois olhei melhor para o assunto e cheguei à conclusão que, se a maquilhagem é uma forma de nos exprimirmos, e todos os seres humanos têm o direito de se exprimir, porque é que raio os rapazes não iriam poder utilizar maquilhagem? Ainda é um campo com portas por abrir? É. Ainda há muito preconceito? Sim, mas se formos a ver também há preconceito com a maquilhagem no geral, portanto não é só a questão de quem a usa, mas sim a sua existência.

Tal como já falei sobre isto com a Sofia, na minha turma já tivemos uma conversa casual que veio ao de cima por mero acaso, acerca desta temática e durante essa conversa uma colega de turma disse-me que eu nem precisava porque tinha uma pele demasiado boa. Mas a questão é, e se eu simplesmente gosto de me maquilhar porque lá está, é um gosto pessoal? Eu preciso de ter borbulhas na cara para me maquilhar, preciso de ter um conjunto de imperfeições para me maquilhar, aliás há um número exato que me diga se posso ou não maquilhar-me? 

Com isto, eu sou a favor do uso de maquilhagem. Para um boost de confiança para quem dele precisa, para um sorriso de quem o faz porque simplesmente é algo que adora, para aqueles que a utilizam como um meio de expressão e até para aqueles que precisam dela no seu dia a dia (não nos esqueçamos que Youtubers, apresentadores de televisão, atores, cantores e etc e afins, precisam de maquilhagem para sobressair nas ofuscantes luzes que apontam diretamente para eles e faz com que não sejam notados em câmara de forma correta.

Agora, quero também abrir um parentesis relativamente a tudo o que disse anteriromente. Posso concordar no uso da maquilhagem para pessoas com problemas de autoestima, mas não acho nada saudável quando se torna numa obcessão e num problema de dependência. Penso que independentemente de tudo, temos que saber olhar para nós sem maquilhagem, é importante sentirmo-nos melhores connosco, mas não podemos tornar-nos dependentes demais do veículo que nos faz sentir dessa forma. Lá está, é um veículo, não parte do nosso corpo. Se fosse suposto não termos a mínima falha, teríamos nascido assim.

Acima de tudo o resto que disse, devo dizer que apesar de o iluminador realçar e chamar à atenção, o melhor iluminador que temos à disposição é o nosso sorriso.

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