Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chávena de Chá das Cinco

É chávena de chá só que agora bebe-se café

Chávena de Chá das Cinco

É chávena de chá só que agora bebe-se café

#27 Carlota Isabel, mas o que é que vem a ser isto?

Carlota, 11.09.19

Isso pergunto eu! Mas o que é que raio vem a ser esta pequena demonstraçãozinha?

Como sabem (ou caso não saibam ficam a saber), eu comecei o meu 12º ano nesta segunda-feira e deixem só que vos diga que tenho o melhor horário da história do secundário. Tenho as tardes todas livres menos a de terça feira e só vou às aulas quatro dias por semana, por isso digam lá se não é fixe! Para além do mais na terça-feira, as aulas que tenho de tarde são mesmo tranquilas portanto está tudo bem... SÓ QUE NÃO!

Então vocês acreditam que durante todo o meu secundário eu tive sempre três opções diferentes, uma de carne, uma de peixe e uma vegetariana para comer e agora só tenho dois pratos de peixe/ carne (dependendo do dia) e um prato vegetariano (que por vezes tem um aspeto profundamente duvidoso)?! Mas que raio de decisão vem a ser esta? 

Eu não sei quanto a vocês, mas nós, alunos daquela escola, vamos juntar-nos e impiechment com a direção! 

Depois da paz, vem a tormenta

Carlota, 12.11.18

Esta é a frase que descreve o meu mês de novembro. Como todos sabem, novembro é sinónimo de testes, exames, frequências, elaborações de orçamentos, you name it. O facto é que, há sempre uma semana que faz a separação desta força da natureza, desta catástrofe natural, do restante mês atribulado com conta, peso e, acima de tudo, medida.

Essa semana amada, mas ainda assim profundamente odiada, é esta semaninha (pelo menos para mim). Tudo bem que tenho uma apresentação de filosofia dentro de umas horas, e que tenho dois testes quarta e quinta, mas são de disciplinas pouco importantes.

Agora, daqui para a frente? Só paramos lá para dezembro, assim no fim, estão a ver? Pois, que maravilhoso, não é? Such an excitement!!!

Enfim, deiam-me forças que eu preciso. Porque esta ronda vai ser o desastre natural...

#25 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Carlota, 10.11.18

Ontem tive teste de Português que, como já partilhei por estes lados, é sempre equivalente a um desastre maior que o da bomba de Hiroshima (e mesmo assim...). Os seus efeitos colaterais na média de todos os alunos que tiveram o infortúnio de o ter como professor (mas vá, não quero ser má. É só nesse aspeto, porque como pessoa é impecável) são catastróficos, desde alunos de 20 a mal conseguirem ter positiva no teste. 

Enfim, ora eu estava toda apreensiva por não saber quase escolha múltipla nenhuma e por ter a impressão que estava a errar a torto e a direito, quando um aluno fez uma pergunta qualquer (que pouco ou nada me ajudava). A resposta do professor veio de forma muito saturada, como se o tédio o tivesse invadido (bem-vindo, isso é o que sentimos em todas as aulas. Tédio. Tédio. Tédio. E... tédio?!), mas a melhor parte é aquilo que nos diz em seguida: "Aproveito para vos informar que este teste é para todos os alunos tirarem positiva". Como é óbvio e nada menos daquilo que se esperava, a turma desatou a rir. 

Francamente, parece que todo um humorista nasce dentro dos professores ao ver os alunos aflitos com o teste. Parece uma espécie de onda de orgulho misturada com aquele prazer em mostrar que eles eram os corretos. Infelizmente, isso não dura muito tempo, é só uma vez por mês, aproximadamente.

#22 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Carlota, 05.11.18

Há umas duas semanas atrás, não menos que isso, saí da aula de Economia a chorar aos prantos. E quando digo que saí da aula de Economia quero dizer que me levantei e saí quase que a correr (isto porque isso já é sonhar alto demais, quereria dizer que já estava de volta em forma, o que não é verdade) porta fora. E antes que pensem, isto na minha escola não funciona assim só que eu nem pensei, eu só fui.

Então, finalmente desenvolvendo o tema que já devem estar cansados de me ouvir. Como já estão mais que exaustos de ouvir, este primeiro período tem sido o autêntico desafio para mim, por todo o processo de recuperação em si, mas também por causa do facto de ter faltado a grande parte das aulas, seja por estar de atestado, seja por ter que faltar constantemente por causa de consultas médicas.

Enfim, resumindo e concluindo, fiz o teste de Economia faz hoje três semanas e acho que nunca nada me tinha corrido tão mal (salvos os testes de Matemática A e de Português, que são sempre uma desgraça astronómica). No entanto, tinha na ideia que ia tirar um 15... até a professora ter começado a corrigir o meu teste e ter vindo falar comigo muito preocupada com a situação. 

É assim, eu sou uma aluna de notas altas a Economia, nunca tinha tirado nada abaixo de 17 (salvo uma vez, mas isso aí quase nem teve peso na nota), fiquei sem chão ali mesmo. Daí a minha reação super dramática.

Hoje, finalmente, recebi o raio do teste e tirei 14. Epá, nunca tinha ficado tão feliz por ter aquela nota e, ainda que gostasse de ter tido mais, eu sabia que aquilo tinha sido um resultado que tinha obtido completamente sozinha, enquanto tinha perdido aulas de matéria, de revisões, e que aquele tinha sido o primeiro dia depois de outro atestado.

No geral, não ficaria contente, mas sei que estive próxima do 15 e que, ainda que não seja o meu ideal, eu não assisti a nada e o 14 que ali está era do meu estudo sozinha e da minha doença mal recuperada. Estou feliz. Estou, acima de tudo, aliviada.

Enfim, moral da história: a minha professora é uma autêntica drama queen que acabou por reconhecer que tinha exagerado e que a situação parecia mais crítica que aquilo que se revelou.

É de uma falta de civismo...

Carlota, 27.10.18

E se fosse só uma falta de civismo, a coisa apesar de má, ainda era capaz de ser engolida, ainda que muito a contragosto. No entanto, o episódio em causa é repugnante e é uma verdadeira falta de, não só civismo, como de elegância, educação, cultura, responsabilidade... enfim, é uma falta de tudo aquilo que é necessário para viver em sociedade.

Este ano, talvez porque ano passado não fosse assim, sinto que a minha escola está sobrelotada. Para aqueles que não sabem, eu ando numa escola de cariz Católico, o que equivale ao facto de terem por lá padres e, em tempos, freiras até. Hoje em dia não é assim, ainda que os párocos se permaneçam lá. Ora, voltanto ao tópico, o Básico, a Pré, a Creche e o Secundário estão em alas opostas, ainda que a ala do Secundário seja a maior, mas no geral são poucos alunos. Nós somos relativamente poucos alunos, pelo menos, comparados às escolas comuns. Apesar de só lá ter andado e andar no Secundário, a verdade é que nunca senti que tivessem tantos alunos como este ano.

Enfim, mas não é isso que venho cá hoje para criticar, muito pelo contrário. É bom quando a comunidade escolar cresce, o que não é bom é as situações que podem adver com esse aumento populacional de uma escola.

O episódio relatado vem de uma das situações que devia ser o mais banal possível - as filas do almoço. Expliquem-me lá como se eu fosse muito burra, não é suposto aguardarmos com os nossos amigos e falarmos e darmos gargalhadas? Ser é, o problema é que isso não acontece... nunca, pelo menos este ano.

Ano passado, nós entendiamo-nos uns com os outros, mas este ano as filas estão caóticas. Eu não vou para a fila porque, como fui operada, não tenho que o fazer. Não obstante, ouço coisas que preferia não ouvir, como os assédios nas filas.

Não é que os meninos da creche vieram diretamente para o 10º ano? E não é que os rapazes assediam raparigas na descarada (com isto falo de toque bastante invasivo) e depois, quando estas se revoltam e, por vezes até partem para a chapada (têm razão, pelo menos do meu ponto de vista), elas ainda são consideradas culpadas?

Às vezes isso irrita-me bastante. Nós temos um dresscode a seguir, o problema é que é só para raparigas mesmo, ou pelo menos é o que parece. Eles dizem que é uma instituição de homens e blá blá blá, então se é tanto assim, instituam uniformes! Tudo seria mais simples, quer para nós que não seríamos discriminadas, quer para os rapazes, que iam ter que seguir as mesmas regras.

Enfim, mas há tantos podres ali dentro que dava para lançar um livro. Sem comentários... repugnante... deveras repugnante...

Se há coisa que eu detesto ali é isso me acontecer, se bem que raramente passo por essas situações. Tenho sorte, penso eu. Depende do ponto de vista.

#20 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Carlota, 24.10.18

Apesar de ter sido um excelente dia, este dia não foi assim tão excelente. Não sei se sabem ou se isto se tornou uma regra institucional qualquer, mas às quartas-feiras eu, pelo menos, não tenho aulas durante a tarde. E isto é bom porque é a única tarde livre na qual consigo estudar e dedicar-me a 100% à escola, sendo que também é a quarta mais produtiva de toda a minha semana (contanto até com o fim de semana), até porque sei que se não fizer, nunca mais volto a fazer mais nada.

O problema é que hoje eu estou mesmo estourada, tenho imenso sono e, se eu pudesse, deitava-me na minha cama e tirava um cochilo (cochilo esse que bem precisava), só que isso trocaria as minhas rotinas (que já são poucas) e tiraria tempo precioso da minha semana (tempo esse que já é escasso). Portanto, tenho que lidar com aquele plano bem básico do - fazer um trabalho para amanhã (outro) e estudar para um teste sexta-feira (que a menos que ocorra um milagre, me vai correr pessimamente mal). Enfim desejem-me sorte nesta batalha, que eu bem preciso!

 

#19 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Carlota, 13.10.18

Lembram-se daquele teste de que falei no último post? Pronto, mesmo que não tenham lido passam a saber que tive um teste de matemática ontem. Estava super bem preparada, nunca me tinha sentido tão bem preparada na vida. Até que pronto, recebi o enunciado.

Eu nem sei como correu, se bem ou se mal, mas boa nota não vou ter de certeza. Até porque falhei perguntas mesmo estúpidas (mas ao menos acertei as mais difíceis, mal o menos). O teste está dividido em duas partes, uma com calculadora e uma sem calculadora. Ontem foi a parte com calculadora e segunda-feira será a parte sem calculadora. E agora vocês dizem-me "Mas então, Carlota, isso é excelente! Tens outra chance!" e pronto, eu concordaria se não fosse pelo facto de não perceber patavina acerca de igualdades trigonométricas e coisas do género. Um teste infernal ao qual vou tirar uma péssima nota. God save me, please!

Ah e como se não fosse o suficiente, os meus pais acharam que seria uma ideia mais que brilhante, tipo a melhor ideia do SÉCULO, irmos numa roadtrip de última hora para a casa do Alentejo, o que equivale a família e eu com os livros atrás para estudar.

Se eu percebia pouco, então agora percebo cada vez menos, deixem que vos diga. Vou na fé mesmo, isso e vou aproveitar para rezar antes do teste na capela do colégio, pode ser que funcione!

#18 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Carlota, 11.10.18

Amanhã tenho um teste de matemática mesmo a meio da manhã, o que faz com que eu, pessoa que pouco percebe do assunto, tenha oportunidade de estudar mais um pouco e tirar dúvidas com as minhas colegas entendidas no assunto.

Como já mencionei anteriormente, aliás em diversas alturas, eu nunca fui uma aluna brilhante a Matemática, a minha classificação mais alta do secundário até ao dia de hoje é 13 e a mais baixa foi um 7 que acabou por não contar, fazendo assim a nota mais baixa de sempre 12.

Senti menos dificuldades na matéria deste ano, isso é certo, mas também tenho perfeita noção que epá, podia ser bem melhor!

No fundo, tenho bastante receio do que aí vem e tudo isto cria um momento no qual me sinto triste e em dúvidas com a escolha do meu curso, visto que estou numa área com discplinas variadas e cuja maior parte é maioritariamente constituida por cálculos, o que não é a minha realidade. Sou uma pessoa de Letras, o que é a razão pela qual me sinto meio deslocada quando ouço os meus colegas a gabarem-se do facto de pouco ou nada terem que estudar. Também é verdade que tenho das médias mais altas da turma, mas é porque chego ao ponto de ter vida para além dos livros.

Espero que o meu esforço (que tem sido imenso) valha a pena e que amanhã e segunda-feira (onde faço a segunda parte) compense todo o meu esforço. Vejamos o que sai daqui...

De qualquer modo e, só para prevenir, vou fazer aquilo que eu e um colega meu fizemos na altura do teste de Filosofia - olhar para o teto enquanto rezamos como se Deus fizesse milagres e a sabedoria escorresse toda. Não que não a tenhamos, mas estávamos a desejar um teste fácil e que não nos desse nenhuma branca (se querem mesmo saber, não adiantou de nada).

Obrigada por lerem este meu desabafo que pouco ou nada tem de engraçado mesmo. Depois dou notícias. Rezem por mim ou então simplesmente desejem que me corra bem, caso contrário lá se vai a média... outra vez!

#14 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Carlota, 29.09.18

Como todos sabem (pessoal que já passou por lá) ou devem calcular (pessoal que ainda está para passar), os anos do secundário são verdadeiras novelas mexicanas carregadinhas de drama, de boatos, de mexericos, de relações fast-food e tudo aquilo que possam imaginar relacionado com estes poucos exemplos do que é a vida do Secundário.

É engraçado como na Preparatória, ou 2º e 3º ciclo (como quiserem chamar) já era assim, e que estando com um pé na Faculdade e um no Secundário pouco ou nada mudou. Devíamos ser mais responsáveis e mais maduros, mas acho que isso não foi bem aquilo que aconteceu.

Quem pergunta de onde este pensamento mirambulante saiu, já devem estar a calcular de onde. Mas pronto, vou falar e "fofocar" com vocês porque apeteceu-me e tem piada e eu nunca fofoquei com vocês e assim pronto, ficam a conhecer as fofocas relacionadas com a minha pessoa.

Para quem não sabe, o meu primo e os amigos dele foram para a mesma escola onde eu ando, o que equivale ao facto de nos vermos umas vezes. E pronto, para quem não sabe o meu primo foi o meu primeiro amigo e crescemos muito juntos, o que faz de nós muito próximos. Ora isso equivale ao facto de eu ter que ver e conviver com os amigos dele dos quais gosto. Mas gosto ponto e vírgula porque há um que... nope, não me convence. Resumidamente conheço-o desde que tínhamos uns oito anos e desde aí que nunca nos demos. Não sei ao certo como começou mas epá, é daquelas pessoas que não dá, simplesmente não dá!

A verdade é que já não via o rapaz há uns anos e pensei, com grande inocência, que ele se tinha esquecido da minha pessoa até porque pronto, não nos tínhamos visto muitas vezes depois de ele sair da escola onde eu andava. Mas não, ele ainda se lembra bastante bem de mim. Tão bem ao ponto de chamar a atenção das minhas colegas que se babam por ele.

Tudo começou quando o meu primo e eu nos encontrámos e a sua excelência lá estava. Eu, pessoa que se preze, apresentei o meu primos às minhas amigas, as minhas amigas ao meu primo, ignorando-o completamente (o que acabou por falhar redondamente visto que acabei por ter que o apresentar, bleh). Desde aí que sempre que me encontra no corredor tem um fetiche (que não é de hoje) de me provocar. Geralmente, a provocação mais usada é o "Hey, Carlota! Continuas baixinha", à qual eu respondo algo igualmente impróprio e embaraçoso, provocando o riso dos amigos dele. Outras vezes é "Hey, Carlota! Esse ruivo vai de mal a pior!" e por aí fora. Escusado será dizer que os amigos dele já me conhecem, ainda que eu mal tenha olhado para eles. E como é que sei que são amigos dele, porque chega a um ponto que se passar por eles no corredor tenho observações como "Hey, Carlota! Tens sorte que o S. não está cá!". Sou mais conhecida que o tremoço, agora.

No entanto, a teoria da conspiração não foi criada até à aula de Educação Física onde a turma dele estava a fazer condição física ao lado da minha. Nós, como alunas mais velhas, tínhamos que apreciar caloiros porque pronto, está na nossa natureza (não são só os rapazes que andam a apreciar as raparigas). Eu, como faço parte do banco dos lesionados, não faço aula e estive a observar a turma dele em vez da minha deprimente turma. 

Enfim, tudo isto para as minhas amigas começarem a dizer que ele é super giro e que não se importariam nadinha de ter nada com ele e não sei quê. Ora, eu achei esquisito. Ou melhor, eu ainda acho esquisito porque para mim ele é um miúdo, um dos amigos do meu primo, ele é um cabeça no ar e um chavalinho!

E pronto, aparentemente eu supostamente tenho um fraco por ele e todas as provocações são amor reprimido, o que é a única explicação plausível para o facto de eu ficar "chateada" com os comentários delas.

Vamos lá a ver, confesso, ou melhor, eu admito, a puberdade fez-lhe muito bem, mas isso não altera N-A-D-A! Eu, Carlota Isabel Lopes de Almeida nunca teria nada com aquele rapaz em específico, ou com um amigo do meu primo, para que conste. Para mim o S. é um mero miúdo que faz sucesso entre raparigas, que não é feio, mas que é demasiado imaturo para o meu gosto. Não engulo essa, nem nunca hei de engolir.

E pronto, aqui têm uma fofoca sobre a minha vida. Sinto que sabem pouco sobre a minha vida pessoal, mas vá já têm um bocadinho de juicy drama para terem uma impressão de mim mais teenagy. Muitos de vocês dizem que sou demasiado madura para a idade, e ainda que isso possa ser verdade, também tenho o meu lado adolescente com o drama estúpido. Pronto, hoje ficaram a conhecê-la. 

Às vezes a escola não é o mais importante

Carlota, 27.09.18

Às vezes seguir o programa não é o mais importante. Às vezes a matéria que cismam em despejar-nos para cima não é o mais importante. Às vezes apontar o dedo e dizer que os alunos não trabalham não é o mais importante. Às vezes distribuir culpas porque vamos "atrasados" não é o mais importante. No fundo, nada disso é o mais importante às vezes, e hoje foi uma dessas vezes.

Choca-me, irrita-me, repugna-me e enoja-me como é que é possível ser-se tão frio perante as situações. Não fomos nós que decidimos que não queríamos trabalhar. Não fomos nós que dissemos "Bora arranjar este pretexto e não ter aulas". Não fomos nós que não nos interessamos, ou melhor, até fomos. Mas porquê? Porque havia algo bem mais importante a ocorrer, não aquelas desculpas esfarrapadas de quem pouco ou nada quer fazer. Justificações legítimas que abalam qualquer um. Adultos ficaram aflitos, pensem nós, os jovens.

Hoje foi um daqueles dias que mais valia a pena não ter saído da cama. Foi um daqueles dias em que devia ter mandado a minha mãe calar e não ter saído da cama, independentemente do facto de já não dormir desde as quatro da manhã.

Hoje vi algo que certamente nunca esquecerei, as imagens continuam a repassar na minha cabeça e a preocupação e falta de notícias aflige-me. Não vou falar do que aconteceu, até porque não foi comigo, logo não me dá o direito de abrir a boca sequer para falar do assunto. Não era correto da minha parte.

Ainda assim, falarei do que senti ao ver o que vi. Foi das imagens mais marcantes da minha vida até aos dias de hoje e eu, pessoa que não choro facilmente, não consegui conter umas poucas lágrimas perante a situação. Não consegui pelo que se tinha passado no dia anterior, pela ironia e crueldade da vida ao realizar aquilo que todos não desejavamos a ninguém.

Repugna-me saber que, ainda que tenham havido pessoas a compreender, tenham havido almas insensíveis ao ponto de desvalorizar a situação, nomeadamente uma professora que nos disse exatamente com estas palavras "Não percebo o porquê tanto alarido se ninguém morreu". Pois, ninguém morreu mas nós sofremos pela falta de notícias e sofremos pela imagem. Foi traumatizante para adultos, pensem no quão mau foi para jovens, ainda mais que estavam dentro da situação por assim dizer.

Repugna-me que nos recriminem por ter sentimentos e por sentirmos e lidarmos com a situação como podemos. Todos temos bases diferentes, eu deitei umas lágrimas, houveram pessoas que tiveram que se ausentar por não estarem em condições de comparecer e aquilo que temos como resposta por sentir é "Esta turma está sempre atrasada, para não variar. Há sempre um pretexto, não há?". Há, e desta vez, ainda que possa ser uma única vez, a turma está atrasada no tão emblemático programa porque há coisas mais importantes na vida e porque a vida académica não é tudo.

Rezamos para que tudo corra pelo melhor e desejamos infinitamente que tudo se recomponha. 

Este dia foi dos mais marcantes e horrosos da minha vida. Quem me dera não ter saído da cama hoje.