Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

13
Nov18

A questão do arriscar

Quantas vezes sentimos uma certa hesitação perante as nossas escolhas ou pensamentos? Eu sempre senti que, por vezes, eu tinha a vontade, mas era como se houvesse uma força contrária que me impedisse de dar o passo em frente e literalmente going for it.

Ao longo da vida, penso que todos nos cruzamos com essa força. Muitos chamam-na de medo, outros chamam-na de receio... eu penso nela como o que é para mim - um entrave.

Sempre tive medo de rotinas, isto porque uma vez que as criava e chegava a um ponto em que era necessário mudá-las, entrava em parafuso. Sou daquelas pessoas que, ainda que goste de alguma mudança para não ser sempre tudo igual, detesta quando grandes mudanças acontecem. No entanto, descobri com o tempo, que mudar radicalmente não é necessariamente péssimo e, muitas vezes, tem impactos bastante positivos na nossa vida.

O exemplo mais concreto que tenho é o de mudar o meu cabelo, visto que é algo que me diz bastante. Sempre tive algum receio em mudar, mas com o tempo tenho vindo a libertar-me desse facto. Não podemos criar coisas impeditivas na vida, visto que uma vez que começamos a pensar demasiadas vezes em assuntos que não são definitivos e nem têm consequências assim tão catastróficas como isso, tudo se torna numa bola de neve e torna-se uma barreira para conseguirmos fazer aquilo que queremos.

Outro grande exemplo é o da criação de um blog. Amigos e amigas, a criação de um blog dá trabalho, mas também dá gosto. Não é fácil, passa por todo um processo criativo para os quais poucos têm paciência, mas é como diz o ditado "Quem corre por gosto, não cansa". E com isto, falo da quantidade de vezes que já ouvi pessoas dizerem que criar um blog é fácil, mas que não têm paciência para isso, ou que têm medo. Mas têm medo de quê? Que as pessoas não vejam logo o vosso trabalho? Porque se vão com esse mindset das visualizações, mais vale a pena nem virem, porque (e falo por experiência própria), uma pessoa que escreve com o único intuito de se tornar influencer famosa, é uma pessoa que não se vai dar bem neste meio. Ninguém gosta de conteúdo forçado, ninguém gosta de ler algo que só está ali por estar. Para isso mais vale a pena deixarem-se ficar quietinhos, porque estão a perder tempo numa coisa que não gostam, os outros não vão gostar do que vocês fazem e, no fundo, não estão a acrescentar nadinha.

Agora, também entendo o receio de quem quer dar a cara pelo que faz, até porque eu própria não o consigo equacionar. Os meus colegas de escola saberem que faço posts para a internet é um tanto ou quanto aterrorizador. Primeiro, porque tenho alguma vergonha do que escrevo, depois porque nem quero saber a reação de certos seres falantes, andantes e respirantes (sei que não é uma palavra, mas vamos fazer de conta que sim, pode ser?). 

De qualquer forma, e chegando onde quero chegar, se quiserem muito uma coisa, se quiserem criar memórias novas, experenciar coisas que vos têm passado pela cabeça demasiadas vezes para serem apenas um sonho irrealista, se sentem o bichinho aí dentro, então atirem-se de cabeça. Seja quererem fazer uma mudança no cabelo, uma mudança nos vossos hábitos alimentares, no vosso estilo de vida, se quiserem criar um blog, um canal de Youtube, mas acima de tudo, se acham que vão ser mais felizes ao fazê-lo, digo-vos que arrisquem. Afinal, quem não arrisca, não petisca.

E mesmo que no fim das contas não gostem, só a experiência já valeu a pena o esforço. Nem todos temos que ter predisposição para as mesmas coisas, não temos que ter todos os mesmos gostos, ser felizes e estar satisfeitos com as mesmas coisas. A questão é que tudo aquilo que fazemos enquanto cá andamos vai ficar connosco para sempre (ainda quero passar uma borracha na minha pré-adolescência), arrisquem e saiam da vossa zona de conforto. Arrisquem. Deiam-se a vocês próprios uma oportunidade. E se tiverem medo? Façam-no com medo, mesmo. O pior que pode acontecer é não gostarem do resultado final.

06
Nov18

#23 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Hoje tive um teste para o qual o meu estudo pouco ou nada rendeu. Estão a ver aqueles dias em que estão com a cabeça em todo o lado menos naquilo em que deviam estar? Passei por isso precisamente hoje.

Ora, eu fiz o teste com relativa agilidade. Sem grandes esperanças, fui fazendo o que sabia aqui e ali. Após umas quatro escolhas múltiplas feitas à sorte (figas para que tenha acertado miraculosamente), e um teste completamente feito, fiquei com cara de taxo. Não é que a penúltima pergunta, que era uma que exigia cálculo, não me estava a dar certo?

Assim muito resumidamente, era suposto o resultado ser 0 e a mim dava-me 3. Cheguei à conclusão que podia ser mesmo verdade e que eu é que estava a panicar para nada, sem razão aparente mesmo. Qual não foi a minha felicidade quando no último minuto, encontrei o erro e consegui que o exercício desse certo! A sério, foi mesmo fantástico, um descargo de consciência fenomenal!

Já conquistei vitória deste dia. 

05
Nov18

#22 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Há umas duas semanas atrás, não menos que isso, saí da aula de Economia a chorar aos prantos. E quando digo que saí da aula de Economia quero dizer que me levantei e saí quase que a correr (isto porque isso já é sonhar alto demais, quereria dizer que já estava de volta em forma, o que não é verdade) porta fora. E antes que pensem, isto na minha escola não funciona assim só que eu nem pensei, eu só fui.

Então, finalmente desenvolvendo o tema que já devem estar cansados de me ouvir. Como já estão mais que exaustos de ouvir, este primeiro período tem sido o autêntico desafio para mim, por todo o processo de recuperação em si, mas também por causa do facto de ter faltado a grande parte das aulas, seja por estar de atestado, seja por ter que faltar constantemente por causa de consultas médicas.

Enfim, resumindo e concluindo, fiz o teste de Economia faz hoje três semanas e acho que nunca nada me tinha corrido tão mal (salvos os testes de Matemática A e de Português, que são sempre uma desgraça astronómica). No entanto, tinha na ideia que ia tirar um 15... até a professora ter começado a corrigir o meu teste e ter vindo falar comigo muito preocupada com a situação. 

É assim, eu sou uma aluna de notas altas a Economia, nunca tinha tirado nada abaixo de 17 (salvo uma vez, mas isso aí quase nem teve peso na nota), fiquei sem chão ali mesmo. Daí a minha reação super dramática.

Hoje, finalmente, recebi o raio do teste e tirei 14. Epá, nunca tinha ficado tão feliz por ter aquela nota e, ainda que gostasse de ter tido mais, eu sabia que aquilo tinha sido um resultado que tinha obtido completamente sozinha, enquanto tinha perdido aulas de matéria, de revisões, e que aquele tinha sido o primeiro dia depois de outro atestado.

No geral, não ficaria contente, mas sei que estive próxima do 15 e que, ainda que não seja o meu ideal, eu não assisti a nada e o 14 que ali está era do meu estudo sozinha e da minha doença mal recuperada. Estou feliz. Estou, acima de tudo, aliviada.

Enfim, moral da história: a minha professora é uma autêntica drama queen que acabou por reconhecer que tinha exagerado e que a situação parecia mais crítica que aquilo que se revelou.

27
Out18

É de uma falta de civismo...

E se fosse só uma falta de civismo, a coisa apesar de má, ainda era capaz de ser engolida, ainda que muito a contragosto. No entanto, o episódio em causa é repugnante e é uma verdadeira falta de, não só civismo, como de elegância, educação, cultura, responsabilidade... enfim, é uma falta de tudo aquilo que é necessário para viver em sociedade.

Este ano, talvez porque ano passado não fosse assim, sinto que a minha escola está sobrelotada. Para aqueles que não sabem, eu ando numa escola de cariz Católico, o que equivale ao facto de terem por lá padres e, em tempos, freiras até. Hoje em dia não é assim, ainda que os párocos se permaneçam lá. Ora, voltanto ao tópico, o Básico, a Pré, a Creche e o Secundário estão em alas opostas, ainda que a ala do Secundário seja a maior, mas no geral são poucos alunos. Nós somos relativamente poucos alunos, pelo menos, comparados às escolas comuns. Apesar de só lá ter andado e andar no Secundário, a verdade é que nunca senti que tivessem tantos alunos como este ano.

Enfim, mas não é isso que venho cá hoje para criticar, muito pelo contrário. É bom quando a comunidade escolar cresce, o que não é bom é as situações que podem adver com esse aumento populacional de uma escola.

O episódio relatado vem de uma das situações que devia ser o mais banal possível - as filas do almoço. Expliquem-me lá como se eu fosse muito burra, não é suposto aguardarmos com os nossos amigos e falarmos e darmos gargalhadas? Ser é, o problema é que isso não acontece... nunca, pelo menos este ano.

Ano passado, nós entendiamo-nos uns com os outros, mas este ano as filas estão caóticas. Eu não vou para a fila porque, como fui operada, não tenho que o fazer. Não obstante, ouço coisas que preferia não ouvir, como os assédios nas filas.

Não é que os meninos da creche vieram diretamente para o 10º ano? E não é que os rapazes assediam raparigas na descarada (com isto falo de toque bastante invasivo) e depois, quando estas se revoltam e, por vezes até partem para a chapada (têm razão, pelo menos do meu ponto de vista), elas ainda são consideradas culpadas?

Às vezes isso irrita-me bastante. Nós temos um dresscode a seguir, o problema é que é só para raparigas mesmo, ou pelo menos é o que parece. Eles dizem que é uma instituição de homens e blá blá blá, então se é tanto assim, instituam uniformes! Tudo seria mais simples, quer para nós que não seríamos discriminadas, quer para os rapazes, que iam ter que seguir as mesmas regras.

Enfim, mas há tantos podres ali dentro que dava para lançar um livro. Sem comentários... repugnante... deveras repugnante...

Se há coisa que eu detesto ali é isso me acontecer, se bem que raramente passo por essas situações. Tenho sorte, penso eu. Depende do ponto de vista.

11
Out18

#18 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Amanhã tenho um teste de matemática mesmo a meio da manhã, o que faz com que eu, pessoa que pouco percebe do assunto, tenha oportunidade de estudar mais um pouco e tirar dúvidas com as minhas colegas entendidas no assunto.

Como já mencionei anteriormente, aliás em diversas alturas, eu nunca fui uma aluna brilhante a Matemática, a minha classificação mais alta do secundário até ao dia de hoje é 13 e a mais baixa foi um 7 que acabou por não contar, fazendo assim a nota mais baixa de sempre 12.

Senti menos dificuldades na matéria deste ano, isso é certo, mas também tenho perfeita noção que epá, podia ser bem melhor!

No fundo, tenho bastante receio do que aí vem e tudo isto cria um momento no qual me sinto triste e em dúvidas com a escolha do meu curso, visto que estou numa área com discplinas variadas e cuja maior parte é maioritariamente constituida por cálculos, o que não é a minha realidade. Sou uma pessoa de Letras, o que é a razão pela qual me sinto meio deslocada quando ouço os meus colegas a gabarem-se do facto de pouco ou nada terem que estudar. Também é verdade que tenho das médias mais altas da turma, mas é porque chego ao ponto de ter vida para além dos livros.

Espero que o meu esforço (que tem sido imenso) valha a pena e que amanhã e segunda-feira (onde faço a segunda parte) compense todo o meu esforço. Vejamos o que sai daqui...

De qualquer modo e, só para prevenir, vou fazer aquilo que eu e um colega meu fizemos na altura do teste de Filosofia - olhar para o teto enquanto rezamos como se Deus fizesse milagres e a sabedoria escorresse toda. Não que não a tenhamos, mas estávamos a desejar um teste fácil e que não nos desse nenhuma branca (se querem mesmo saber, não adiantou de nada).

Obrigada por lerem este meu desabafo que pouco ou nada tem de engraçado mesmo. Depois dou notícias. Rezem por mim ou então simplesmente desejem que me corra bem, caso contrário lá se vai a média... outra vez!

27
Set18

Às vezes a escola não é o mais importante

Às vezes seguir o programa não é o mais importante. Às vezes a matéria que cismam em despejar-nos para cima não é o mais importante. Às vezes apontar o dedo e dizer que os alunos não trabalham não é o mais importante. Às vezes distribuir culpas porque vamos "atrasados" não é o mais importante. No fundo, nada disso é o mais importante às vezes, e hoje foi uma dessas vezes.

Choca-me, irrita-me, repugna-me e enoja-me como é que é possível ser-se tão frio perante as situações. Não fomos nós que decidimos que não queríamos trabalhar. Não fomos nós que dissemos "Bora arranjar este pretexto e não ter aulas". Não fomos nós que não nos interessamos, ou melhor, até fomos. Mas porquê? Porque havia algo bem mais importante a ocorrer, não aquelas desculpas esfarrapadas de quem pouco ou nada quer fazer. Justificações legítimas que abalam qualquer um. Adultos ficaram aflitos, pensem nós, os jovens.

Hoje foi um daqueles dias que mais valia a pena não ter saído da cama. Foi um daqueles dias em que devia ter mandado a minha mãe calar e não ter saído da cama, independentemente do facto de já não dormir desde as quatro da manhã.

Hoje vi algo que certamente nunca esquecerei, as imagens continuam a repassar na minha cabeça e a preocupação e falta de notícias aflige-me. Não vou falar do que aconteceu, até porque não foi comigo, logo não me dá o direito de abrir a boca sequer para falar do assunto. Não era correto da minha parte.

Ainda assim, falarei do que senti ao ver o que vi. Foi das imagens mais marcantes da minha vida até aos dias de hoje e eu, pessoa que não choro facilmente, não consegui conter umas poucas lágrimas perante a situação. Não consegui pelo que se tinha passado no dia anterior, pela ironia e crueldade da vida ao realizar aquilo que todos não desejavamos a ninguém.

Repugna-me saber que, ainda que tenham havido pessoas a compreender, tenham havido almas insensíveis ao ponto de desvalorizar a situação, nomeadamente uma professora que nos disse exatamente com estas palavras "Não percebo o porquê tanto alarido se ninguém morreu". Pois, ninguém morreu mas nós sofremos pela falta de notícias e sofremos pela imagem. Foi traumatizante para adultos, pensem no quão mau foi para jovens, ainda mais que estavam dentro da situação por assim dizer.

Repugna-me que nos recriminem por ter sentimentos e por sentirmos e lidarmos com a situação como podemos. Todos temos bases diferentes, eu deitei umas lágrimas, houveram pessoas que tiveram que se ausentar por não estarem em condições de comparecer e aquilo que temos como resposta por sentir é "Esta turma está sempre atrasada, para não variar. Há sempre um pretexto, não há?". Há, e desta vez, ainda que possa ser uma única vez, a turma está atrasada no tão emblemático programa porque há coisas mais importantes na vida e porque a vida académica não é tudo.

Rezamos para que tudo corra pelo melhor e desejamos infinitamente que tudo se recomponha. 

Este dia foi dos mais marcantes e horrosos da minha vida. Quem me dera não ter saído da cama hoje.

19
Set18

A desmotivação e os bloqueios criativos

Recentemente (e com isto digo de há umas semanas para cá), tenho vindo a sentir-me sem ideias e sem motivação. Sem ideias sobre o que escrever por estas bandas, e sem motivação num todo. Sinto-me desmotivada num geral, quanto ao blog, quanto aos estudos, quanto à vida num geral.

No passado eu tinha muito a tendência de me entregar muito a estes momentos (porque isso é que os posts em Maio foram inexistentes), mas tenho vindo a desenvolver uma nova forma de lidar com eles - não os deixar tomar conta de mim.

Acho que qualquer blogger chega a um ponto de rutura, em que começa a ficar cansado e até massado com toda a situação corrente na sua vida. Tenho muito a acontecer ultimamente, e tudo isso, faz-me ficar stressada e perder-me pelo caminho.

A diferença, é que desta vez decidi partilhar com o mundo aquilo que estou a sentir no momento. Quem nunca abriu a área de criação de posts e ficou a olhar freneticamente para o ecrã como se magicamente as ideias fossem cair dos céus aos trambulhões? Tem acontecido mais vezes que aquelas que gostaria.

Por isso é que há erros ortográficos que são cada calinada que a Língua Portuguesa até se deve torcer toda. Somos humanos, não máquinas. Por vezes há coisas que falham porque nós estamos a chegar ao limite e, por vezes, é preciso fazer reset.

Estou-me a sentir assim. Sinto que preciso que o meu cérebro faça reset e que tudo volte a ser reposto ao juízo normal. Preciso de dormir em condições, preciso de tomar um banho relaxante, cuidar de mim, mudar! É isso mesmo, preciso de mudar algo na minha vida para ver se fujo das mesmas rotinas cansativas ou das mesmas rotinas impossibilitantes.

Sempre ouvi que quando sentimos a necessidade de mudar devemos cortar o cabelo ou fazer-lhe alguma coisa. Dado o facto que não o posso pintar e já me passou o impulso de cortá-lo (estou numa de o deixar crescer, se continuar assim em Janeiro já está bem comprido), não sei se será bem o que preciso.

Enfim, foi um post muito à toa, mas às vezes o meu à toa é o à toa de alguém e eu precisava de falar sobre um assunto que não vejo muita gente falar - e que até à bem pouco tempo eu também escondia. 

 

18
Set18

A última carta para ti

Ultimamente, perante algumas realidades que acabam por me confrontar de vez em quando (especialmente em pensamentos noturnos, como é o caso), noto que há algo que tenho que escrever para ti. Sim, tu que nunca hás de ler isto, que pouco ou nada sabes de mim, mesmo gritando aos quatro ventos que sou demasiado previsível e que sou um livro aberto.

No outro dia entrei na rede social na qual já não entrava há algum tempo e, por mero acaso, a tua conversa estava em primeiro (para veres há quanto tempo já não a utilizava). Foi então que reparei algo bastante interessante, bloqueaste-me. Não sei o que alguma vez te fiz para decidires tomar essa decisão, se por medo de eu algum dia te enviar uma mensagem ou se porque a tua queriduxa te pressionou (o que não me surpreende já que ela sempre te quis longe, bem longe de mim. Mesmo quando já nada de mais existia entre nós). Seja como for, deves ter tido os teus motivos que não estou preocupada em saber ou em sequer compreender.

O meu irmão disse-te uma vez que tu tinhas sorte de eu não te ter bloqueado, que te devias dar por satisfeito de eu não te ter mandado uma curva quando maior parte das raparigas o fariam. Sei que era isso que eu deveria ter feito, devia ter-te deixado mal me apercebi o quão mal me fazias, mas como em qualquer relação tóxica que se preze, eu estava demasiado dependente de ti.

Quando nos conhecemos tu recusaste-me logo na primeira conversa, - como se eu na altura tivesse algum interesse por ti, um mero estranho - o que me devia ter dado indícios mais que evidentes para me afastar de ti a todo o custo, mas lá está, não o fiz. 

Ao longo do tempo, o peixe morreu pela boca, já que tu começaste a andar atrás de mim, sendo que eu não estava nem aí para ti. Lembro-me de não te querer e de deixar isso bem claro, antes que te pusesses com testamentos que eu não tinha paciência para ler. Até que um dia, sem eu perceber bem como ou porquê, eu deixei de te dar para trás porque me despertaste interesse (podia dizer que não, mas eu entendo a razão por detrás disso) e foi aí que disse que sim. E foi aí que tu disseste mais ou menos, acabando por dizer sim dias mais tarde. Na altura, e mesmo no exato momento em que escrevo isto, entendo o que fizeste e não te recrimino por isso. 

O problema veio com o facto de o sim se ter tornado em mais ou menos, o mais ou menos se ter tornado em não, o não ter-se tornado talvez e o talvez ter-se tornado sim. No fundo, a nossa relação (que eu nem sei como designar) funcionava deste modo. Era uma espécie de ciclo repetitivo com alteração de três em três semanas. Três semanas de felicidade davam lugar a três semanas de preocupação, que mais tarde dariam lugar a três semanas de tristeza.

Foi a certo ponto que comecei eu a ter dúvidas. Os meus colegas deixavam-me com dúvidas, os meus amigos deixavam-me com dúvidas, os nossos amigos em comum deixavam-me com dúvidas, mas pior que tudo isso - tu eras a razão pela qual eu tinha as dúvidas, não eles. Tu é que falhavas comigo constantemente, tu é que brincavas com os meus sentimentos e eras tu que punhas obstáculos em sítios onde eles não estavam. Tudo era um problema, tudo era uma dificuldade, tudo era um entrave. 

Aí começaram as juras de amor incondicional nas quais me acreditei. Se há coisa de que me apercebi, é que tu me mudaste. O meu 'eu' antes de ti nunca iria nessa conversa, já o meu 'eu' depois de ti era uma miúda tonta o suficiente para acreditar na história do "Daqui a dois anos acabas a escola e eu vou estar na Faculdade e aí tudo será mais fácil"

Foram meses e meses neste ir e vir, ir e vir. Não estamos juntos mas gostamos um do outro, até que um dia apanhas um avião e ficas ausente durante duas semanas. Entras a gostar de mim, quando desembarcas após as duas semanas já tens outra. E eu ouvi tudo, permiti até que chegasses a desrespeitar-me de certo modo, e em momento algum ouvi alguém tomar o meu lado (exceto a amiga, estás cá dentro. É para a vida já). 

Cheguei a 2018 e senti-me perdida e desamparada, em parte por culpa da vida, em parte por culpa dos que me rodeavam, mas em grande parte por tua culpa. Tiraste-me de mim. Deixei de ter nome próprio e passei apenas a ser a tua namorada ou amiga, sei lá como é que tu me chamavas (no grupo de amigos sei que era a hoe, mas isso aí nem vou comentar). Claro que a culpa foi minha por permitir tal coisa, mas no fundo eu nunca me dei conta até ser tarde demais.

Foi, quase certamente, a relação mais intensa mas também a mais tóxica da minha vida. Penso que é impossível superar isto (é melhor calar-me porque há sempre alguém pior que nós e não quero que o mal me venha bater à porta). 

Lembro-me de não te ter ali para mim. Lembro-me de estar sempre lá para ti, mas tu nunca quereres saber a mínima de mim, não como deverias querer saber, não como te deverias importar, não como deverias cuidar de mim. Chorei vezes e vezes sem conta, no ombro da amiga porque não podia permitir-me chorar em mais sítio nenhum. Ou era com ela, ou era durante a noite a ouvir música e a abafar o choro na almofada.

No fundo, eu cheguei a um ponto em que já não sabia daquilo que gostava e que deixei de ter opiniões próprias. Opinava sim senhor, mas tudo aquilo que queriam que eu opinasse, que eu dissesse. Eu já não pensava pela minha própria cabeça e foi por isso que não te disse das boas quando devia ter dito.

Quando me abri contigo sobre o facto de me sentir perdida, aquilo que me disseste foi algo tão simples como "Não sei porque te importas tanto e não sei porque andas tão perdida. Quer dizer, sei. És insegura e só queres saber das aparências, tal como os outros. Tornaste-te em mais uma, deixaste de ser autêntica e de ser diferente". Quando tentei debater dizendo que estavas a ser injusto comigo e que eu podia ser insegura mas não era hipócrita, de certeza absoluta, recebi como resposta algo tão desagrafável como "Por favor, tu nem sabes quem és. Não sabes o tipo de pessoa que és! Logo aí já dá para ver que só te deixas levar pelo que os outros querem que sejas. Tu não tens personalidade própria, quem o tem sabe quem é".

Foram palavras secas saídas da boca de quem mais me importava. Num tom que eu nunca tinha conhecido, não emitido por ti. Já o tinha ouvido muitas vezes do restante meio envolvente, mas tu eras diferente. Tu eras carinhoso e atencioso, não frio e duro. Sem coração, talvez.

Se tivesse sido hoje, eu ter-te-ia dito das boas. Ter-te-ia tirado as palavras da boca e nunca teria permitido que me falasses daquela maneira. Não iria ouvir e calar. Não iria baixar a cabeça com olhos de arrependimento como tantas vezes fiz após aquela. Teria falado em alto e bom som. Ter-me-ia sabido defender. Mas não soube quando era tempo.

Apesar de estar a referir o quão tóxica era a nossa relação e o quanto, por um lado me arrependo de ter cedido, sei reconhecer que houveram os bons momentos em que fomos mais que felizes. Nunca tinha sorrido tão verdadeiramente na vida. Nunca tive tanta luz e brilho. Nunca erradiei tanta energia positiva. Recordo e guardo ainda os momentos bons com carinho e penso que nunca os esquecerei. Farão sempre parte de mim, da pessoa que fui, da pessoa que me tornei à custa da experiência.

Com isto, e ainda a bater na mesma tecla, posso dizer que estou melhor hoje, sem ti. Prefiro que me bloqueies para que não me contactes de novo, prefiro não passar por tua casa, prefiro não cruzar-me contigo, prefiro não cruzar-me com ela, prefiro não me cruzar com o meu passado. Desde o dia em que me levantei e disse que estava cansada que brincassem comigo, desde que deixamos de falar e que te apaguei da lista de contactos, eu fiquei melhor. Eu aprendi muita coisa sozinha, aprendi a não depender de ninguém, aprendi que não preciso de ti ou de outro qualquer. A única coisa de que preciso sou eu própria, o resto é feitio

Acima de tudo, a única razão pela qual não me arrependo desta relação por completo, foi pelo quanto saí dela mais madura. Foi por ter aprendido muito durante este último ano. Foi por ter aprendido muito da nossa relação.

Aprendi a preocupar-me menos com a opinião alheia, aprendi a focar-me mais na minha pessoa e menos na imagem que os outros têm de mim, aprendi a cuidar de mim mesma e a tratar-me como uma rainha, aprendi a respeitar-me mas se houve algo que aprendi sobre este tempo contigo é que as tuas opiniões importavam mais que as minhas e não era assim que devia ser, não só relativamente a ti mas também relativamente a todas as relações que estableço na minha vida. Por essa razão, agradeço-te.

Obrigada por me teres ensinado tanto, por me teres feito crescer e amadurecer e por me teres feito ver o que eu quero para mim própria. Posso não saber quem sou, mas sei o que quero fazer e para onde quero ir, agora. Não preciso de ninguém que me guie, pois encontrei o caminho sozinha. Estou a descobrir o mundo na companhia dos meus amigos verdadeiros, todos os outros ficaram à porta do meu círculo da confiança. Só é bem-vindo quem me faz bem. Não preciso de estar com alguém como tantas vezes me fizeste crer, preciso de estar conectada comigo própria e, para isso, não é preciso saber que tipo de pessoa sou. Tudo isso é um fucking cliché, agora é tempo de viver e descobrir coisas novas. É altura de viver a minha juventude.

Portanto, obrigada por tudo e espero nunca mais ouvir falar ou ver-te novamente.

 

 

 

15
Set18

Isto do pós-operatório tem mais que se diga...

Dependo de toda a gente para fazer quase tudo, o que é algo que me intriga bastante!

Desde criança que sempre fui muito independente (isto após perder o medo de escadas, até lá dependia das pessoas para me ajudar) e não gosto que me façam tudo, nomeadamente as coisas mais básicas, como fazer a minha cama e preparar-me.

Com esta questão da operação, tenho visto a minha independência escapar-me pelos dedos radicalmente. Literalmente, eu preciso de ajuda para fazer quase tudo.

Dependo da minha mãe para tomar banho (e é à gato), dependo da minha mãe para me vestir e despir, para me calçar, para me pentear, para me lavar o cabelo (e é para dentro do lavatório que já vou com sorte), para me por creme no corpo, para literalmente tudinho.

Hoje, tive que arranjar o cabelo. A minha mãe, como é óbvio, não sabe as minhas rotinas e como eu funciono, não sabe os produtos que aplico no cabelo e quando o faço, não sabe os passos para o tratamento do cabelo, não sabe como o arranjo para que fique brilhante e sublime. Por outro lado, cabelos não é o grande forte dela (falemos de unhas com ela, porque eu sou um autêntico desastre), o que torna tudo mais difícil. Primeiro porque não tem o mesmo gosto ou paciência que eu, e depois porque tem imensa falta de prática e jeito. Eu tento sempre dar o meu jeitinho e explicar tudo, mas há coisas que é mesmo impossível eu fazer (como tratar to styling, visto que levantar os braços é tão proibido como a versão fiel das 50 Sombras de Grey na Arábia Saúdita. É melhor nem falar nisso...). É aí que a porca torce o rabo.

Por agora isto é o melhor que tenho e posso ter sequer. Não há muito a fazer. Tenho que me contentar com isto, mas confesso que me custa um pouco ver-me incapacitada.

Mas se fosse só a dependência de pessoas... dependo também de Ibobrufenos e de soutiens (ou devo dizer prisões de mamas de alta segurança, do género prisões do Suicide Squad), mas pior que tudo isto, dependo da mesma posição para dormir. Tive que abdicar do facto de dormir sempre de lado (como já é mais que óbvio) e tive que começar a dormir de barriga para cima e não me mexer muito.

Mal posso esperar por tirar os pontos, posso não conseguir fazer muito, mas sempre posso fazer qualquer coisita. Mas mais importante que isso, quero ficar a 100% e poder voltar a dormir sem soutien (como é que há mulheres que o fazem? Eu estou no maior sofrimento!). Isso e tirar os pensos. 

Enfim, tenho um montão de desejos e reclamações, quase sempre fiéis porque simplesmente não podem ir embora. Se estão num pós-operatório, estamos juntos. Se não estão, fiquem felizes por isso e vão a Fátima agradecer à Nossa Senhora (porque isto de ser tuga é assim, não há dinheiro cá para Vaticanos. Vá, isto é brincadeira mas se forem religiosos e assim considerarem, força minha gente!). Se vão estar em breve, muita força e tentem ser positivos - cada pós-operatório é um caso e cada pessoa é uma pessoa. Isto não é uma ciência exata.

14
Set18

Ser adolescente hoje em dia num minuto

Um minuto sobre o que é ser jovem no século XXI, na década dos 10. Em grande parte (se não completamente) somos todos do novo século e todos nos deparamos com aquela questão do ser adolescente. Há séries e filmes que "retratam" o que é ser-se adolescentenos dias de hoje, mas será que é mesmo assim? Será que são 90% do filmes e artigos escritos e realizados por adultos que mostram o que é realmente ser adolescente na atualidade?

Desde que me lembro que o meu sonho era ser adolescente, mas mais que isso, eu queria desesperadamente ter 16 anos e viver a experiência que tantas vezes vi em televisão ou no grande ecrã. Todos os vídeos, as canções, os filmes, por vezes até os documentários me seduziam a querer que essa altura chegasse. Até que ela chegou. E quando ela chegou senti-me enganada.

Ser adolescente hoje em dia, não é ir à escola e chegar a casa e ver séries ou ter amigas constantemente em nossa casa. Não é ter o namorado e a família perfeita. Não é sair pelos parques todos e comer algodão doce ou gelado. Não é ir ao shopping e trazer as lojas de roupa atrás. 

Por outro lado, ser adolescente não é extorquir os pais. Não é nada como os adultos o descrevem, não é andar aí a ser um retrato das críticas que nos têm que tecer até porque se não o fizessem, não aguentariam nem mais um segundo na face da terra. 

Ser adolescente é sorrir e ter telemóvel. Para todos os efeitos ser adolescente é depender das publicações do Instagram ou do lendário feed perfeito porque como diz o ditado popular circulante por aí "Os perfis de uma pessoa dizem muito sobre ela". E sabem que mais? Não podia ser mais ficticiamente verdade.

Aos olhos dos meus colegas de turma, eu sou a pessoa que deio transparecer e, como tal, o meu Twitter, as minhas fotos e as coisas que publico seja onde forem, são o espelho da personalidade que todos conhecem. Mas quem sou eu? Não sei.

No fundo quero ser aquilo que agrade os outros. Quero agradar a todo o mundo mas não sei como conseguir tal proeza. Gosto do que os outros gostarem. Dou like e sigo quem os outros considerarem. Tiro fotografias com poses que não lembram ao diabo com o único propósito de mostrar que tudo é ótimo e que não há razões para duvidar do facto de eu ser a criatura com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos de sempre.

Os 16 anos são descritos por todos como a idade das primeiras coisas. Quase tudo o que fazemos a este ponto é pela primeira vez, ou pelo menos, assim diz o esterótipo. É aqui que nos dividimos. Quem tiver experienciado certas situações é "grande rei/rainha". Quem não o tiver feito deve mesmo continuar na ignorância dos outros, porque caso saibam com provas que isso é assim vocês são postos de lado.

Pode parecer um pouco à toa, mas todos sabem que a única série que considero fiel ao que é ser a adolescência, chama-se Skam. Se me identifiquei com o original, hoje quando encontrei o trailer da versão espanhola tudo fez ainda mais sentido.

Assim, deixo-vos aqui o espelho de tudo aquilo que sinto quanto ao que é ser adolescente hoje em dia numa compilação de um minuto.

 

Pesquisar

Sobre mim

foto do autor

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D