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Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

27
Set18

Às vezes a escola não é o mais importante

Às vezes seguir o programa não é o mais importante. Às vezes a matéria que cismam em despejar-nos para cima não é o mais importante. Às vezes apontar o dedo e dizer que os alunos não trabalham não é o mais importante. Às vezes distribuir culpas porque vamos "atrasados" não é o mais importante. No fundo, nada disso é o mais importante às vezes, e hoje foi uma dessas vezes.

Choca-me, irrita-me, repugna-me e enoja-me como é que é possível ser-se tão frio perante as situações. Não fomos nós que decidimos que não queríamos trabalhar. Não fomos nós que dissemos "Bora arranjar este pretexto e não ter aulas". Não fomos nós que não nos interessamos, ou melhor, até fomos. Mas porquê? Porque havia algo bem mais importante a ocorrer, não aquelas desculpas esfarrapadas de quem pouco ou nada quer fazer. Justificações legítimas que abalam qualquer um. Adultos ficaram aflitos, pensem nós, os jovens.

Hoje foi um daqueles dias que mais valia a pena não ter saído da cama. Foi um daqueles dias em que devia ter mandado a minha mãe calar e não ter saído da cama, independentemente do facto de já não dormir desde as quatro da manhã.

Hoje vi algo que certamente nunca esquecerei, as imagens continuam a repassar na minha cabeça e a preocupação e falta de notícias aflige-me. Não vou falar do que aconteceu, até porque não foi comigo, logo não me dá o direito de abrir a boca sequer para falar do assunto. Não era correto da minha parte.

Ainda assim, falarei do que senti ao ver o que vi. Foi das imagens mais marcantes da minha vida até aos dias de hoje e eu, pessoa que não choro facilmente, não consegui conter umas poucas lágrimas perante a situação. Não consegui pelo que se tinha passado no dia anterior, pela ironia e crueldade da vida ao realizar aquilo que todos não desejavamos a ninguém.

Repugna-me saber que, ainda que tenham havido pessoas a compreender, tenham havido almas insensíveis ao ponto de desvalorizar a situação, nomeadamente uma professora que nos disse exatamente com estas palavras "Não percebo o porquê tanto alarido se ninguém morreu". Pois, ninguém morreu mas nós sofremos pela falta de notícias e sofremos pela imagem. Foi traumatizante para adultos, pensem no quão mau foi para jovens, ainda mais que estavam dentro da situação por assim dizer.

Repugna-me que nos recriminem por ter sentimentos e por sentirmos e lidarmos com a situação como podemos. Todos temos bases diferentes, eu deitei umas lágrimas, houveram pessoas que tiveram que se ausentar por não estarem em condições de comparecer e aquilo que temos como resposta por sentir é "Esta turma está sempre atrasada, para não variar. Há sempre um pretexto, não há?". Há, e desta vez, ainda que possa ser uma única vez, a turma está atrasada no tão emblemático programa porque há coisas mais importantes na vida e porque a vida académica não é tudo.

Rezamos para que tudo corra pelo melhor e desejamos infinitamente que tudo se recomponha. 

Este dia foi dos mais marcantes e horrosos da minha vida. Quem me dera não ter saído da cama hoje.

25
Jun18

SKAM e o impacto na sociedade

SKAM, "Vergonha", em potuguês. Para os mais ligados às redes sociais são capazes de já ter ouvido falar da série norueguesa que se tornou viral por todo o mundo.

Retrata a história de um grupo de jovens de secundário que vivem em Oslo e frequentam a tão famosa escola - que é mesmo real e na maior parte dos atores estudou - Hartvig Nissens, mais conhecida como Nissen.

A série possui quatro temporadas em que, apesar de seguir as ligações dos jovens estudantes, centraliza um deles em cada uma das temporadas. Há vários temas referidos ao longo da série, temas tabu e que são importantes porque nos confrontam com uma realidade que não integra somente a sociedade norueguesa, como a sociedade mundial em que vivemos. São exemplos a religião, a desigualdade de géneros, a homossexualidade, o bullying, os distúrbios alimentares, a exclusão social... entre outros que não possuem tanto destaque.

Durante a primeira temporada, temporada que foca a Eva, somos apresentados àqueles que vão ser as personagens principais da série, entre eles as amigas da Eva, - Noora, Sana, Vilde e Chris - o namorado e o melhor amigo do mesmo - Jonas e Isak, respetivamente - e os rapazes mais velhos e populares da escola - os Penetradores, sendo os jovens com mais destaque os charmosos e populares William Magnusson e Chris Schistad.

Mas como é que todos eles se conhecem? Graças àquilo em que a série gira em volta, uma tradição norueguesa chamada Russ Bus. Basicamente, este consiste em comprar um veículo (autocarro, carro ou caravana), decorá-lo ao seu gosto. No último ano, os participantes fazem um desfile e festas no seu veículo, sendo premiados em diferentes categorias. A época do Russ abre a 20 de abril e acaba a 17 de maio, o dia da Constituição Norueguesa. Durante este período de tempo, os jovens devem vestir um macacão de uma cor só (vermelha, azul e preta, habitualmente) e organizarem as suas festas no seu bus, "enfrascando-se" em álcool, e tendo que ir às aulas.

O problema constante da série gira em torno do Russ Bus, sendo este a causa do relacionamento de muitos personagens, bem como das discussões entre eles e da organização das festas, onde alguns desentendimentos têm tendência em florescer.

O que pensei sobre a série? Achei pertinente. Identifiquei-me com algumas das situações retratadas e com os pontos de vista dos adolescentes em análise. É interessante ver o seu percurso, pois se muitos crescem, outros regridem (pelo menos na minha opinião).

No geral, recomendo a que vejam porque faz-nos ver o mundo de outra forma, e até porque as mensagens que passam aplicam-se sempre. After all "Everyone you meet is a fighting battle you know nothing about. Be kind. Always."

 

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