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Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

29
Dez18

A vida é feita de encontros e desencontros

Sempre fui uma das pessoas que acreditava firmemente que tudo acontecia por um motivo e que, ainda que nem sempre tudo acabasse em bem, tinha que ter acontecido para servir como uma lição de vida ou qualquer outra coisa do género.

Para mim, 2017 foi um ano excelente, ou pelo menos era assim que eu me sentia. Em 2017, eu vivia feliz, tinha um excelente grupo de amigas (que continuamos amigas até hoje apesar das escolas diferentes e dos horários pouco compatíveis), tinha um dos meus maiores sonhos realizados - poder finalmente começar o secundário na área que eu própria tinha escolhido, numa escola onde ia conhecer pessoas novas - mas, acima de tudo, eu estava numa relação complicada que, na minha inocência, me conseguia fazer feliz acima de tudo. Assim foi a minha vida em 2017, até pelo menos ao último trimestre, onde muitos dos meus sonhos iludidos se esfumaram e os meus maiores pesadelos ganharam vida. Lembro-me de acabar 2017 a chorar, como confesso aqui.

Mas 2017 já passou, correto? Afirmativo! A questão foi que eu passei 2018 T-O-D-O a queixar-me com as saudades de 2017. Aos meus olhos, até praticamente ontem, 2018 pouco ou nada me tinha acrescentado de bom, em vez disso era apenas uma espécie de desilusão assalapada. Descobri que o secundário não ia ser nada do que eu esperava, descobri que as minhas relações estavam por um fio, senti-me sozinha.

A questão é, até ontem eu não via 2018 como o que ele realmente é - o final de mais um capítulo. 2018 foi a continuação de 2017, foi o final para tudo o que aconteceu em 2017, foi final de um livro. Por outras palavras, 2017 foi a segunda parte do livro que eu escrevi em 2017 e, ainda tendo um final trágico, eu tenho a noção que vai haver uma sequela onde algumas pontas soltas serão abordadas. Não obstante, houveram situações que tiveram o seu desenlace, não vão voltar a aparecer na sequela deste livro e, se aparecerem, é apenas numa menção qualquer. Não vão ser desenvolvidas, até porque já tiveram o seu final. Acabou. De vez.

Mas de onde é que isto veio tudo? Não foi de uma mera reflexão, ou de um balanço do ano como aqueles que toda a gente faz (e que eu também vou fazer, como é óbvio). Isto veio de algo mais intenso que isso, algo que mudou tudo e me fez tirar conclusões que são como certezas para mim.

Em Setembro, no dia 18, escrevi a última carta para a pessoa na qual me encontrei na tal relação complicada que supostamente tinha durado até janeiro. Pois... digamos que não foi bem isso que aconteceu...

É verdade que nunca mais lhe falei, é verdade que nunca mais falamos e é verdade que eu não tinha o desejo ou sequer a mínima vontade de o fazer. Eu não conseguia ser capaz de falar com a pessoa que vim a descobrir, ao longo dos tempos, o que me fez. Eu, mais uma vez sendo ingénua como era, acreditava que ele fazia de mim a melhor versão de mim, que tinha sido uma espécie de ajuda para eu me encontrar, o que eu venho a desmentir na carta. Mas bem, não vou estar a falar do que está escrito na última carta. O que venho falar é porque é que isto bem à tona logo agora.

Nos últimos dias estava a arrumar umas coisas e encontrei a caixa onde eu guardava todos os poemas que lhe escrevia, todos os textos que lhe escrevia quando precisava de falar com ele mas não o podia fazer e li alguns. Quando os li fiquei chocada com o quão abatida eu estava. Eu estava miserável na altura e não me conseguia libertar dele porque, cada vez que o ia fazer, lá estava ele para me prender de novo. 

Em setembro, quando diz aquele post tudo isso desapareceu, mas não por completo. Eu sentia tudo o que escrevi, o que eu não sentia era a certeza de que se ele algum dia voltasse a entrar na minha vida eu fosse capaz de o recusar. Eu temia voltar para ele e voltar a perder todo o progresso que tinha conseguido fazer.

Ontem, ironicamente, estava no shopping perto de casa dele e, qual não foi a minha surpresa em encontrá-lo por lá. Eu encontrei-o lá e ele reparou na minha presença e falou-me. Eu, como pessoa bem educada, conversei com ele. Até ao momento em que tudo acabou.

Ele começou a falar do triste que foi não ter resultado entre nós e que atirei-lhe à cara coisas que tinha descoberto com o tempo a partir das redes sociais (não stalkeei ninguém, até porque descobri por terceiros que me iam seguindo no Instagram), coisas que magoavam dado o estado em que eu me encontrava enquanto ele estava de boas. Atirei-lhe isso à cara e ele ficou chocado. Ele tentou argumentar e, surpreendentemente falhou.

Ele não estava à espera daquela resposta e, quando me tentou persuadir como sempre fazia, quando falou do não me querer perder e me tentou tocar para me chegar ao sistema, eu fiz algo que nem eu própria esperava. Eu afastei-me. E quando me afastei senti-me chocada comigo mesma. Senti que, pela primeira vez, eu estava no controlo e dei a resposta da qual mais me orgulho - "Tu perdeste-me no dia em que me comparaste a ela e me disseste que eu não tinha personalidade. No dia em que me rebaixaste".

Mas para quê contar isto aqui, sendo tão pessoal para mim? Porque sinto a necessidade de registar isto de fresco em algum sítio onde possa identificar a minha evolução. Isto é a minha evolução. É o upgrade. 2018 foi a transformação.

Em 2017 eu perdi-me, em 2018 fiquei perdida, mas acima de tudo eu aprendi algo e fortaleci-me. E, com este episódio descobri não só que tenho autocontrolo e ideais fixos, mas também que aprendi a lição e cheguei à conclusão que eu nunca mais vou cair na esparrela e deixar-me levar por falinhas mansas.

Perante esta evolução comigo própria, tenho que agradecer às minhas amigas, que me têm vindo a acompanhar neste processo e que não desistiram de mim, mesmo quando era justificável. Ajudaram-me a ganhar força para por o ponto final e para me impor. Ontem fiz aquilo que queria ter feito em junho, cuspi cada palavra que precisava para evidenciar a minha posição, cada palavra que devia ter cuspido na altura.

Eu sou lenta a aprender, demoro muito tempo para aprender as coisas, mas eu aprendo e, em 2018, eu aprendi.

 

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