Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

06
Jul18

O meu percurso e as dificuldades na leitura

Em pequena, ler era provavelmente um dos meus passatempos favoritos. Devorava livros completamente (o meu pai que o diga), mal acabava de ler um, imediatamente começava outro e não via forma de parar. Aliás, lembro-me de o meu pai e eu acordarmos que ele me daria um livro por semana, mas caso o acabasse antes do prazo, teria mesmo que aguentar e fazer outra coisa qualquer. Para mim o desespero de não ter um livro era igual ao desespero que hoje em dia é ficar sem dados móveis - algo impensável e absolutamente absurdo. E isso acontecia-me muitas vezes (o cenário do livro, não dos dados. Sou uma pessoa poupadinha no que toca à Internet fora de zonas com Wi-Fi). 

Lembro-me que o dia mais feliz da semana era sexta ou sábado, que era quando íamos ao Continente fazer as compras. Na verdade, eram os dias em que íamos a todos os supermercados e trazíamos carrinhos de compras cheios (ainda o fazem, só que eu já não compareço), e era o dia em que eu trazia um novo livro para casa.

Hoje em dia, tenho a coleção das Gémeas da Enid Blyton completa e alguns outros livros de aventura. Outros acabei por dá-los, como o da coleção das Fadas, ou a Odisseia da Alice Vieira. Li uma boa quantidade de livros na minha infância porque era aquilo que gostava de fazer, já que a televisão se tornava demasiado repetitiva e aborrecida, e a Internet e eu não nos tínhamos conhecido ainda. Acho que o facto de me agarrar tanto aos livros se devia ao facto de eu ter sido a última da minha turma a saber ler. Lembro-me que toda a gente já tinha aprendido menos eu, e isso desmotivava-me. Quando aprendi foi como se finalmente tivesse alcançado uma grande meta (que ainda continua a ser, pelo menos para mim).

No entanto, de há uns anos para cá tudo mudou. Deixei de gostar da leitura, não li mais nada durante muito tempo, inclusive os livros da escola. Creio que o entusiasmo da leitura me passou de tanto que li, ou simplesmente mudei face às circunstâncias e ao meio que me rodeava. Acho que cheguei àquela altura em que ler era considerado um crime à vida social - a pré-adolescência. Miúdos implacáveis e tal, a história do costume. Talvez tenha sido porque querer pertencer a algum lado, ou talvez tenha perdido o interesse.

Porém, há uns tempos para cá decidi que começar a ler era uma via que tornaria a minha vida melhor em vários aspetos e tentei habituar-me a segurar um livro em mãos de novo. De facto, descobri algo interessante em mim mesma. Os ritmos de leitura que levo dependem do tipo de livro e da história em si.

No geral, continuo a ser uma devoradora de páginas, tanto que, como já referi, li "O Fim da Inocência" de Francisco Salgueiro em menos de vinte e quatro horas. "Eleanor e Park" foram outro exemplo de livro que, apesar de ter demorado mais a ler, acabei por terminar em relativamente pouco tempo. Já me disseram que não devia ler tão rápido porque acabo por não disfrutar do enredo ao máximo, mas talvez a paciência não faça parte do meu ser e, por essa mesma razão, não consiga tirar o maior proveito da obra literária em questão.

Por outro lado, há livros que demoro muito tempo. Não tem nada a ver com grossuras, mas com a escrita, com aquilo que retrata, e por vezes até mesmo a linguagem utilizada. Um exemplo que retrata esta mesma situação é um livro de Susanna Tamaro, "Vai onde te leva o coração". Esta escritora é, provavelmente, a favorita dos meus pais, especialmente da minha mãe. Eu simplesmente não consigo ler os livros dela, confundem-me e não entendo nada, por vezes chego mesmo a ficar entediada e perco-me pelo meio. Mas este livro é o pior porque quero lê-lo e entendê-lo, só que lá está, sinto-me perdida e confusa, completamente sem saber o que está a acontecer, fico ignorante às palavras que a narradora (que ainda não cheguei a saber quem era ao certo) profere.

Tudo isto para falar de um livro que comprei por volta de Fevereiro ou algo assim, o livro em causa é baseado em factos verídicos (que são o meu tipo de livros favoritos porque me fazem realmente sentir aquilo que a personagem sente) e chama-se "Os Filhos da Droga". É um livro que me despertou interesse porque há uns anos uma amiga minha o tinha lido e me recomendou, decidi que era altura de o ler, mas não sei se me encontro preparada para isso. Estou a demorar demasiado tempo a lê-lo, não é que me perca, mas não me consigo concentrar porque creio que fico meia "afetada" com o que leio. O que é estranho, sei que tenho capacidade mental para o ler, mas não consigo sair dali com "medo" do que encontrarei depois.

Ando para ler o "Vai Onde Te Leva O Coração" há muitos anos, dois para ser mais exata, mas nunca o li. Este livro é bem capaz de ser uma repetição do mesmo. 

Agora, fica aqui prometido que farei a review quando o acabar e vou referir a minha opinião sobre cada palavra e cada sinal de pontuação (metafóricamente falando, claro).

Com isto, queria perguntar se alguém aqui já o leu e também sentiu dificuldade em avançar as páginas, tal como eu. Sou a única que tem dificuldade em ler o livro?

 

4 comentários

Comentar post

Pesquisar

Sobre mim

foto do autor

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D