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Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

25
Ago18

Não sou feminista.

Não sou. Acabou. E agora podem querer argumentar comigo o quanto este conceito é importante hoje em dia e que eu, enquanto mulher, tinha mais era obrigação que o ser. Mas eu não sou e não adianta virem-me com tretas. 

Não acredito no feminismo. No entanto, também não acredito no machismo. Repugnam-me. Repugnam-me porque são baseados em hipocrisia. Eu sou hipócrita, até pode ser que sim, mas não suporto a luta.

Quer dizer, expliquei-me mal. Aprecio a luta, o que não aprecio é a forma como a luta é feita. Eu sou mulher, por isso o argumento "Tu és homem, para ti é fácil" já não vai funcionar aqui.

Eu acredito na igualdade de géneros e de oportunidades. Aceito que certos homens sejam melhor remunerados dado as funções que desempenham. Não aceito que mulheres tenham um ordenado base mais baixo quando desempenham essas mesmas funções. Isso aí não.

Detesto o facto de os patrões não contratarem uma mulher com competências ais desenvolvidas que um homem que concorreu ao mesmo posto e lhe dão a colocação a ele. Expliquem-me lá porquê. Porque é casada, tem filhos e se eles ficarem doentes ela falta? Se calhar ela falta porque ganha menos que o marido, mas é só um palpite...

Não gosto dos comentário machistas que tantas vezes ouvi. "Vai para a cozinha que é lá o teu lugar" "Tens lá jeito ou vocação para teres uma carreira, mal tiveres filhos vai tudo à vida" "Vai para um curso que se adapte a ti" "Quando tiveres um marido e filhos tens que saber cozinhar e servir-lhes o que desejam, e se tiveres meninas elas vão ajudar-te" "Não gostas de peixe mas quando te casares e o teu marido quiser tens que fazer" "Não se estraga um casamento promissor e de anos por um deslize. Deslizes todos temos". Não gosto. Repugna-me. E o pior é como muito são feitos por mulheres "conservadoras". Conservadores não são machistas. Já só faltava dizer "Quando te casares e não quiseres ter relações com o teu marido tens que o fazer porque ele quer" ou "Quando te casares e não quiseres ter relações com o teu marido, não te podes queixar quando ele for buscar o que não tem casa lá fora".

Mas também não gosto da forma como as mulheres que se designam como "feministas" se tratam entre elas. Todo o criticismo sobre a roupa que usam, toda a felicidade que têm em pisar a outra. "Que puta, olha como ela vai vestida". Não são vocês que são #freetheniple? Pois, mas se ela não usar soutien cai-lhe tudo em cima. E agora expliquem-me como é que uma feminista é capaz de slut shame outras mulheres? Pior ainda, amigas!

Então vocês agora dizem "Mas isso faz de ti feminista". Não. Não faz de mim feminista porque eu não me considero feminista. Primeiro é um nome ridículo. Feminista parece mais o contrário de machista que outra coisa. Não gosto da palavra. Logo, não vou usá-la para me descrever.

Depois, eu não suporto o extremismo. Apoio as campanhas, apoio os ideais, só que o maior problema é como muitas são extremistas. Ninguém pode dar uma opinião ou fazer um comentário que vá contra os vossos ideais, já somos machistas todos. Isto não é assim. Não é porque eu acho a forma como lutam ridícula que não posso apreciar a vossa luta, até porque eu partilho-a.

Geralmente, maior parte das pessoas não são tão extremistas assim. Mas minha gente, só rezo que não esteja aqui uma ativista. Ativistas são os piores. Defrontei-me com uma e quase me comeu viva porque disse que achava ridículo aquela coisa de que 40% do governo tem que ser composto por mulheres. Ah, nem me façam falar nisso! Sou a favor de mulheres na política, mas é o mesmo. Imaginem que são patrões. Vão mesmo colocar uma pessoa que não tem o nível de exigência e de competência para desempenhar o cargo? Claro que não! Depois acontece aquilo da Ministra da Administração Interna. Não digo que não tivesse feito um bom trabalho noutras situações, mas ela não soube lidar com as situações, não soube liderar. Isto não quer dizer que outra mulher não pudesse ter ocupado o cargo e ter feito um excelente trabalho.

E antes que me venham dizer que é repugnante eu fazer a política parecer só de homens ao criticar isto, digo-vos mais. Durante a monarquia nenhuma mulher tinha competências para governar, até que elas tiveram. É mesmo preciso falar de tantos bons exemplos? A Rainha Isabel I de Castela, a Emperatriz Isabel de Avis, a Rainha Isabel I de Inglaterra, a Rainha Catarina de Aragão como Consorte do Henrique VIII, a Rainha Vitória... até mesmo a Rainha Isabel II do Reino Unido! Tantas mulheres excelente que governaram ou em próprio nome ou como regentes na ausência dos esposos ou em nome dos filhos! Num tempo em que a mulher era uma incapaz de primeira. Agora, que o conhecimento ainda é maior, obviamente têm todas as capacidades para desempenhar altos cargos, mas não podemos obrigar o governo a ter 40% de mulheres no seu corpo. Quer dizer, e se não houverem tantas mulheres com capacidade para isso? Podem atingi-la mais tarde, mas lá está, na altura podem não estar preparadas para os assumir.

Eu própria gostava de tirar Ciências Políticas, é o meu sonho. Claro que gostava de chegar ao governo, mas se eu não for qualificada para o cargo, não posso esperar que coloquem o bem do país para eu ficar com o lugar. Os políticos representam o país e querem o melhor para ele, se houverem homens que só ficaram com o lugar por contactos, isto sem terem competências, também acho muito mal. Quem sai prejudicado é o Zé Trabalhador, mais ninguém!

Enfim, já me alonguei demasiado. Sou uma lutadora, mas sei que há muito a fazer e que as mentalidades ainda têm que crescer. Não podemos ser passivos, mas também não podemos ser extremistas porque o extremismo não nos leva a lado nenhum, apenas a que outros não tenham o mínimo respeito por nós.

Por isso, não quero mais direitos para os homens e não quero mais direitos para as mulheres. Quero que tenham direitos iguais. Igualdade de oportunidades, nomeadamente. Há muito a fazer e acho que os dois lados têm que crescer, assim como aqueles, que como eu não são nenhum dos dois, precisam de ter uma voz mais ativa.

Enfim, isto foi muito à toa mas falei sobre isto com o meu pai no carro no outro dia e decidi partilhar o meu ponto de vista com vocês. Pensam de forma igual ou diferente? Gostava de saber. Mas vamos todos respeitar todos os pontos de vista e ser amáveis se o quisermos fazer. Respeito acima de tudo.

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