Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

15
Ago18

Back to School | Como lidar com a "peer pressure"

A peer pressure, algo que ouvimos falar e que certamente já experienciamos algum dia na nossa vida, especialmente durante a nossa adolescência e no tempo de escola.

Quando disse que iria fazer uma série de Regresso às Aulas, não quis incluir apenas os típicos os posts, eu tencionava que se adaptassem ao conteúdo que partilho no meu blog, o que não invalida o facto de trazer alguns Hauls e etc e afins. Hoje, decidi compartilhar as minhas dicas e a minha história relativamente à pressão por parte de um grupo e na necessidade que senti em integrar-me assim que entrei para o secundário.

Ora, há um ano atrás eu ainda estava de férias (estava quase a voltar mesmo) e encontrava-me naquela fase pela qual estava tão ansiosa - o começo do secundário e a mudança de escola. Lembro-me de estar nervosa por ir sozinha, logo a minha urgência em pertencer a algum lado era extrema. 

Toda a minha vida senti este sentimento e esta pressão por parte dos meus companheiros de escola, no entanto, afirmo com firmeza que este ano experienciei um género de pressão como nunca tinha experienciado antes, que chegou a causar problemas de autoestima que explicarei durante este post.

Quando cheguei à escola nova, eu tinha um namorado que estava noutra cidade (bastante perto da minha diga-se de passagem), noutra escola. Tentei esconder esse facto, esconder a minha essência e até a minha vida pessoal, mas eventualmente a verdade veio ao de cima e ficou-se a saber. Durante esse tempo tive que lidar com críticas e com pessoas a tentarem por-me dúvidas na cabeça (agora que sei o que sei hoje, realmente devia ter-me fiado neles completamente) e, eventualmente, eu e ele acabamos graças às incertezas em que eu me encontrava.

Para mim as aparências nunca foram o mais importante, mas descobri recentemente que esse pensamento era fruto da minha hipócrisia, visto que sempre satisfiz todos os requisitos para a "perfeição" (pelo menos fiz tudo ao meu alcance) e a verdade é que eu sou perfecionista e me importo bastante com aquilo que as pessoas pensam (chamem-lhe defeito se assim quiserem), o que me levou a tornar-me self-conscious acerca de tudo e mais qualquer detalhezinho.

Num post anterior em que falei daquilo que definia o meu estilo pessoal revelei que durante algum tempo o rejeitei e que me arrependi amargamente por ter escondido quem eu era, mas decidi não entrar em pormenor. Bem, a razão pela qual o fiz foi porque estava preocupada como me encarariam e como me aceitariam, passei um ano assim e quando cheguei ao fim do ano apercebi-me da estupidez que tinha cometido durante o primeiro ano daquele que seria um dos três pelos quais teria que passar para me livrar das pessoas que me rodeiam e me fizeram sentir assim. Por isso, tentei reverter a situação e foi aí que me deparei com comentários rudes acerca da minha imagem (não que não me tivesse deparado antes, por isso é uma questão de hábito).

Posso dizer que durante este 10º ano, cheguei a sentir-me ridícula por gostar daquilo que gostava e por ser quem era. Pensei em desistir e sair dali, mas não fui em frente. Não podia desistir dos meus sonhos e do percurso escolar que desejava baseando-me naquilo que me faziam. Fui muito criticada, fui slut shamed e cheguei mesmo a ceder aos comentários que me faziam até que me apercebi que eu não sou uma seguidora, eu lidero e sou quem quero ser e quem eu sou, não tenho que seguir o guia de como ser boa pessoa segundo os meus colegas de turma. Eu uso o que eu gosto, eu gosto daquilo que me dá prazer ver, ouvir, fazer... é a minha vida e são as minhas decisões.

Acho que o principal conselho que tenho para vos dar acerca deste assunto é mostrarem uma frente definida e que não se acanha. Eu era frágil e desejava ter amigos, mas ter "amigos" não é o mais importante, não se não aceitam quem vocês são e vos recriminam por agir de acordo com aquilo que vos define. Por exemplo, eu era criticada por me maquilhar e me arranjar e deixei de o fazer porque tinha que "viver com aquilo que eu era". Sim, é um princípio muito bonito aquele de nos aceitarmos como somos, mas e se não o conseguimos fazer? Mas e se conseguirmos melhorar-nos? Mas e se o fazemos simplesmente porque gostamos? Eu maquilhava-me e arranjava-me porque eu gosto de me ver assim, não é porque acho que não consigo viver sem isso. Também não podia usar calções curtos que era logo criticada, mas eu usava porque eu gostava! Comprei calções mais compridos e foi aí que senti como se eu tivesse dado um tiro na minha essência porque eu não uso isso, não faz parte de mim e nunca há de fazer!

Durante este ano não me achei boa o suficiente e cedi aos esterótipos e às pressões que os meus colegas aos quais eu chamava amigos criavam em mim. Toda recatadinha sem mostrar pele porque caso contrário iam escazinar-me em praça pública, toda naturalzinha porque caso contrário ia ter "bocas" direcionadas a mim como se fossem armas pontiagudas prontas para serem espetadas na minha pessoa.

Por outro lado, se senti este tipo de pressão por parte das minhas colegas, por parte dos meus colegas rapazes, não me senti bonita ou merecedora de qualquer atenção do sexo oposto. Não porque eles não me deram esse tipo de atenção (quer dizer não deram mesmo, mas essa não é a razão pela qual me senti assim), mas porque gozaram com o meu aspeto, apontaram todos os defeitos e humilharam e ridicularizaram-me vezes e vezes sem conta. Senti-me abatida. Gozavam comigo por tudo e por nada, o que me fez sentir-me terrível comigo própria.

No fundo, o meu conselho é serem quem são. Se alguém vos quer mudar ou vos tenta fazer sentirem-se mal com vocês próprios por motivos como os que referi acima, não vale a pena. Eles não valem a pena e não são merecedores de serem considerados amigos, porque nenhum amigo nos faz sentir desta forma.

Assim, lidar com a peer pressure? Vai de pessoa para pessoa. Eu já fui uma espécie de party girl, divertia-me com a vida porque para mim era uma festa e as pessoas que me rodeavam realmente gostavam de mim como eu era. Eles tornaram-me mais insegura, mais introvertida e aquilo que eu chamo de bicho do mato.

Como é que eu lidei? Atingi o meu limite e dei-me conta do meu valor e que estar inserida em tudo quanto é lado não é o meu objetivo, e tão pouco é tão importante assim. Bloqueei os comentários, chateei-me quando foi necessário e impus quem era e a minha vontade. Não falei com eles o verão inteiro, e foi um verão tranquilo e feliz dentro do possível. Estive internada e nenhum mandou uma mensagem, mesmo sabendo todos. Não me interessam e estar com eles não é algo que me interesse. No entanto, desejei os parabéns a quem tinha que desejar e continuei com a minha vida. Eu não sou igual a eles e eu sou feliz como sou e a ser quem sou. Ter este pensamento é o meu segredo e o maior conselho que vos posso dar. Saibam quem são e não se esqueçam dessa pessoa, mas estejam preparados para as consequências que daí advêm. 

Agora, com isto dito, estou curiosa. Para quem já passou pelos efeitos da peer pressure, contem-me a vossa história e como ultrapassaram tudo isto.

6 comentários

Comentar post

Pesquisar

Sobre mim

foto do autor

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D