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Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

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08
Ago18

Back to School | A polémica das áreas

Todos chegamos a um ponto na vida em que temos que começar a tomar decisões relativas à nossa vida adulta e que, muito provavelmente, condicionam as pessoas em que nos tornaremos, bem como a carreira que levaremos.

Estas decisões chegam, em parte, numa fase em que ainda não estamos maduros o suficiente para entender quem somos e aquilo que gostamos e pretendemos para o futuro. Provavelmente deveria ter feito este post há meses atrás, mas não pensei que fosse a altura porque não queria influenciar a escolha de alguém, de forma alguma. Penso que esta escolha tem que ser baseada nas nossas próprias ideias e não nas opiniões dos restantes - o que, por um lado, foi o contrário do que eu fiz.

Com isto, vou aproveitar para explicar este ponto melhor. Para quem não sabe eu estou e Economia, o que foi uma decisão baseada na minha análise das hipóteses, mas também nas opiniões dos meus pais e de todos aqueles que me rodeavam. Isto é, toda a minha vida cresci com a ideia que teria que estudar para ser um médica, de preferência cirurgiã, de renome. Eu confesso que gostava da área, o que foi uma das razões pelas quais os meus pais insistiram, todos diziam que eu tinha vocação para o assunto e desde tenra idade tudo era muito definitivo relativamente a esse assunto. Isto até que dei por mim a perceber que Ciências e Tecnologias não era um curso para mim, não gostava de Física e Química e pouco ou nada percebia, sem dúvida era a minha pior disciplina e eu não tinha condições, ainda que possuísse os sonhos e os meios, para ir atrás e alcançar.

Com isto, certo dia disse ao meu pai que não queria seguir Medicina ou Ciências sequer, o que no início lhe custou muito a engolir. Perante esta situação pensei cá para com os meus botões "Carlota Isabel, vieste de ter tudo estipulado para estares a três meses das matrículas e não saberes nada. Sabes que Artes era algo que nunca te visualizarias a fazer, resta-te Humanidades ou Economia".

Confesso que a primeira opção foi Economia, mas rapidamente Humanidades ganhou terreno na minha mente. Eu era boa a todas as disciplinas que pudesse vir a ter, e sabia que se fosse para Humanidades teria boa média, não por considerar fácil, mas por mostrar aquilo que eu sou e porque estudar algo de que se gosta é mais simples.

Enfim, andei aí a ouvir opiniões de um lado e do outro, se por um lado tinha amigas que iam para Humanidades, por outro tinha amigas que iam para Ciências e ninguém ia para Economia. Tudo isso fez-me considerar "Quero mesmo estar sozinha?", mas não foi suficiente para me fazer render ao curso. Amigas da minha mãe, gente da família, todos opinaram, inclusive o meu pai que com grande desagrado disse "Se é para ser assim, ao menos vai para um curso com saídas".

Acabei por decidir que Economia era o caminho para mim, talvez por medo às saídas de Humanidades, talvez por receio de desiludir os restantes, no entanto, ainda que a minha decisão tenha sido influenciada por terceiros, penso que tomei a decisão correta. Em todos os cursos há uma disciplina que gostamos menos, no meu caso é Matemática A (a nota mais baixa que tenho, com 4 valores de diferença da segunda mais baixa).

Com isto, quero apelar a duas coisas. Seja qual tenha sido a vossa escolha, ela não é definitiva. Temos 14/15 anos quando fazemos a escolha, desde quando é que é suposto termos certezas? Caso não tenham conhecimento, até ao final do 1º período podem mudar de área sem perder o ano, o que é ótimo para pessoas que escolheram mal e não se identificam com o curso. Para além disso, onde é que está escrito que o que estudamos no secundário tem que ser obrigatóriamente aquilo que temos que seguir no Ensino Superior e ser para o resto da vida profissional toda?

Também quero reforçar algo. Nunca, mas nunca se achem superiores perante aquilo que escolheram. Todos os cursos têm a sua dificuldade, há cursos para os quais se pode ir independentemente da área que se escolhe, não se pode assumir que se o outro tivesse ido para a outra teria sido mais fácil, pois podia nem ser verdade. Todos somos bons ao que somos, o que para uns é fácil, para outros nem tanto.

Por outro lado, aproveito para compartilhar um episódio que me irritou bastante que se sucedou há umas semanas. Estive com um grupo de pessoas que se encontram agora no 11º ano na área de Ciências e Tecnologias e pronto, eu não estou a dizer isto para me "armar", mas contra factos não há argumentos, e a realidade é que eu tive uma média superior (consideravelmente até) à delas. Começaram a dizer que paguei as notas e que os meus testes são fáceis e os delas são mais difíceis, juro que só faltava dizerem que os meus testes de Biologia são mais fáceis que os delas (o que seria estúpido porque nem tenho a disciplina). A certo ponto indiretamente chamaram-me burra e diminuiram-me dizendo exatamente isto "Se estivessem em Ciências logo vias". É assim, por alguma razão eu escolhi Economia e estou bastante bem, não paguei por nenhum resultado mereci cada um deles e trabalhei para cada um deles também. Se tenho uma média mais alta é porque o meu estudo foi mais eficaz ou porque elas tiveram uma má adaptação, de qualquer forma não interessa.

Tudo isto para exemplificar o quão irritante estes "confrontos" pode ser. Sei que este post pode ter sido um pouco à toa, mas precisava mesmo de falar acerca do tema pois tenho sido confrontada regularmente por este tipo de "discriminação". Com isto tudo, e retendo apenas o essencial, as principais dicas para viver esta nova fase são não nos guiarmos pela cabeça dos nossos amigos, não vivermos agarrados ao pensamento limitado que as pessoas têm, mas também não praticar esse mesmo pensamento. Como podem imaginar, eu não gostei de ser minimizada, e certamente vocês também não gostariam de ser.

Enfim, sei que comecei esta série comercial de Back to School de forma demasiado filosófica, mas senti a necessidade de deixar bem claro aquilo que me irrita. 

Aproveito e pergunto se já vos aconteceu semelhante ou se já se depararam com situações destas assistindo ou interagindo. Gostava de saber melhor o outro lado da medalha.

 

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