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Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

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03
Jun18

A vergonha de ter um blog

Não sei se é vergonha ao certo, talvez seja alguma espécie de receio ou medo bizarro. Não posso dizer que o meu blog me envergonha. Quer dizer, há dias em que abro o blog em si e me mete um certo "nojo", não no sentido da sua existência, mas sendo eu a culpada por não se identificar comigo ou por ilustrar uma mensagem completamente diferente da que eu tinha em mente, ou mesmo até pelo meu próprio desleixo ao deixá-lo aí ao abandono durante não sei quanto tempo.

No entanto, penso que não há um único post publicado nesta espécie de caderno de pensamentos e projetos de pensamentos (nada de diários que isso lembra-me aquelas séries de televisão da Disney em que a personagem principal passa as temporadas todas a cantar e a dançar sobre os dois rapazes de quem gosta, namorando com um a temporada toda e acabando com o outro nos últimos dois episódios) do qual eu sinta vergonha ou repulsa. Claro que há posts que hoje teria elaborado de forma diferente, ou porque achei que me expressei mal ou porque poderia ter sido mais clara usando outras palavras, ou até mesmo porque sinto que fui demasiado antipática quando tentei ser séria. Ainda assim, não me sinto mal acerca deles, caso contrário estariam declarados privados ou apagados.

Mas... caraças, há sempre um "mas", não é? Parece que nós não sabemos dizer as coisas sem por essas pequenas conjunções adversativas no meio, verdade? É, digamos que está na nossa natureza. Não sei se na natureza do ser humano ou na natureza do ser português. "Portugal esta a jogar bem com a Tunísia, mas depois desleixou-se na segunda parte"; "A filha da Maria Vaidosa é tão fofa, mas a mãe está a ser descuidada ao expô-la tanto"; "Aquele Camões até que escrevia bem, mas não percebo nada d'Os Lusíadas"; "A Megan Markle esta muito linda no casamento, mas dizem que já ia grávida. Faz sentido, já olhaste para a menina? Coitadinha, está um farrapo!" (atenção que não estou a dizer que concordo com todos exemplos, isto são apenas frases que apanhei de pessoas ali e aqui).

Enfim, indo ao ponto, eu não tenho vergonha de ter um blog, tão pouco das coisas que partilho aqui, mas confesso que se as pessoas que me conhecem e convivem comigo no dia a dia soubessem, eu morria de vergonha.

Acho que não sou a única blogger a sentir isto. Todo aquele medo de ser gozada ou de começarem a citar aquilo que escrevi no post mais recente, ou o facto de verem quem eu realmente sou sem filtros...

Para mim, ter um blog é algo muito íntimo que deve ser apenas partilhado com pessoas que fazem o mesmo no seu próprio cantinho ou que apreciem, compreendam e respeitem o conceito. Se os meus colegas de turma, por exemplo, descobrissem o que faço na Internet não sei como reagiria. Nem os meus amigos mais próximos sabem da existência deste blog, quanto mais meros colegas de turma pelos quais não sinto qualquer empatia e que conheço apenas há nove meses.

Assim, acho que nunca seria uma daquelas pessoas que iria expor-se na internet por esse mesmo motivo. Gosto do meu anonimato e penso que nunca dele sairei. Penso que me agrada o melhor dos dois mundos - partilhar o que eu quiser, mas mantendo a minha identidade em segredo. Quem me garante que nunca me encontrei na rua com alguém da blogosfera? Muito honestamente não posso dizer se sim ou se não, tal como essas pessoas não podem dizer que já me encontraram porque eu continuo a ser um mistério na cabeça delas.

Enfim, tudo isto para tentar dizer muito mas não sabendo como o fazer e dizendo pouco. Sinto orgulho no meu blog, caso contrário este já teria sido apagado. O que não sinto é confiança para partilhar-me e partilhá-lo com o mundo, ou o exemplar de mundo em que eu vivo.

 

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