Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

03
Set18

A perda

Durante os meus 16 anos muitas pessoas entraram e sairam da minha vida. Umas porque simplesmente seguiram caminhos diferentes, outras porque simplesmente quiseram sair e outras que me fizeram sentir culpada por se irem embora.

No entanto, todas estas pessoas têm algo em comum - elas ainda respiram e por isso a perda delas pode não ser definitiva. De qualquer forma, não tenho desejos ou esperanças que voltem, especialmente as últimas às que me referi.

Só que depois há aquelas que perdi porque, infelizmente, chegou a hora delas e já não se encontram entre nós neste momento. Eram pessoas de idade e doentes, com quem Deus (se acreditarem) teve piedade e os levou antes que tivessem que penar.

Nestas coisas a minha família tem sorte. Muitos não andam a penar e a penar, sofrem um pouco, mas vão. E no geral, eles tiveram sempre uma boa vida, viveram anos e anos, não podemos queixar-nos de mortes permaturas.

Mais uma vez, recentemente fui confrontada com a possibilidade da perda, mas desta vez da perda de alguém muito mais próximo e que mudaria completamente a minha vida. Eu e a minha avó tentamos, mas estas coisas não conseguimos controlar, não importa o número ou a dedicação das orações suplicantes e agoniantes, porque sabemos que sobre a morte... sobre a ida para o outro lado não temos influência.

Não sei como as coisas terminarão, ou aquilo que está por vir, mas quando este post sair já posso dizer algo sobre o assunto. Hoje é sábado e por esta altura, já me enrolei na minha cama  a chorar compulsivamente, tanto que a almofada está encharcada.

Porque é que eu não publiquei nada? Porque não quero ter que ver-me na posição de ter que responder a algo que eu não sei ainda. E porque eu também não quero, de forma alguma, estar irremediavelmente de rastos quando lerem isto. Porque seja qual for o fim desta questão, eu sei que me vou reerguer e que por esta altura é aquilo que estarei. De pé, recomposta.

Não faço a mínima ideia sobre o que tenho para dizer. Sinto-me mais perdida que o que alguma vez já me senti. Dói. E é uma dor que me avassala o corpo e que me faz pensar na última vez que vi a pessoa em questão e do que me pediu. Não quero precisar de ter que cumprir com a minha palavra.

Agora encontro-me aqui. Sozinha. E é assim que me sinto. Sozinha, preocupada, destruida, desmembrada... não devia ser permitido isto acontecer. Não devia mesmo.

2 comentários

Comentar post

Pesquisar

Sobre mim

foto do autor

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D