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Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

Chavena de Chá das Cinco

Uma chávena de chá, um prato com biscoitos e conversas intermináveis

01
Nov18

#21 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Ontem à noite pensei que nunca iria ouvir os meus pais gritar esta frase com tanta raiva ou com tanta indignação. No fundo, não sei ao certo aquilo que eles me transmitiram, sei apenas que não foi nada positivo.

E agora vocês devem estar a pensar "O que é que ela fez desta vez?". Eu fiz algo que todos os jovens da minha idade fazem, que os meus pais me incentivavam a fazer e que detestaram no dia em que o fiz.

Ontem, como uma grande parte dos jovens do Porto, eu fui para a Cordoaria com as minhas amigas. Jantámos num restaurante maravilhoso (agora que penso devia ter tirado foto para vos mostrar, mas nem me lembrei), demos uma volta e fomos para o sítio onde ia ser a festa.

O meu plano original nunca terminaria com a noite no ponto em que ela acabou e, ainda que pareça que eu fiz algo de muito errado, eu fiz algo tão simples como beber bebidas alcoólicas. E antes que pensem, eu não me embebedei ou nada que se pareça, e isso inclui o facto da possibilidade de entrar em coma alcoólico. Eu não fiz nada de transcendente, mas para os meus pais eu fiz.

Estava com um grupo grande que acabou por ficar reduzido a três pessoas, encontramos outros amigos que vinham um saco cheio de bebidas e eu experimentei e bebi. Não vou esconder o que fiz, fiquei mais alegre mas nunca ao ponto de andar aí a gatinhar em direção à sargeta para "chamar o gregório". Bebi com consciência, ofereceram-me e eu aceitei porque eu quis, não por causa de algum tipo de peer pressure.

Quando cheguei à beira dos meus pais depois de me ir embora, eles começaram a chatear-se comigo a dizer que eu tresandava a álcool, nomeadamente a vodka, e que era óbvio. E a verdade é que até o podia ser por causa do batom meio borratado juntamente com as marcas pretas da bebida, mas nunca no meu comportamento. Se eu estivesse bêbada não poderia relatar tal coisa, lembro-me de maior parte das coisas que aconteceram e, certamente, lembro-me de ter que lhes mentir ao dizer-lhes a verdade, mas também tenho a perfeita ideia que cheguei decentemente, sem cambalear (ainda que sentisse uma ou outra tontura meia traiçoeira) e a falar normalmente.

Eu entendo que se preocupem mas o facto é que eles sempre me incentivaram a experimentar coisas novas e, quando começou a chegar à altura senti que se retraíram imenso, ainda mais agora. Confrontei-os com isso e a resposta que obtive foi que, ao incentivar-me, não queriam dizer beber bebidas com 40 volumes. 

Argumentei com eles e disse que me sentia ótima ao que eles contestaram com "Todos dizem o mesmo, mas amanhã vais ver como elas te mordem". Disseram-me que não me queriam ver mais naquele dia, para eu simplesmente ir dormir.

Hoje acordaram-me cedo para ir às compras e já me deixaram sozinha de novo. Falam mais alto, sobem o volume da rádio e fazem de tudo para que eu me vá queixar e, ainda que a dor de cabeça seja relativamente incomodativa e as dores no corpo muito evidentes, eu não digo nada e permaneço calada. Penso que está na altura de lhes dar espaço para assimilarem a ideia, quanto mais alarido eu fizer, pior será a minha situação. Respondo ao que me perguntam e nada mais.

E agora perguntam se me preocupo, o que penso que podem ter interpretado mal a partir deste post. Em parte sim, pelas consequências estúpidas que o facto de beber (com consciência, sublinhe-se) pode ter para mim. Por outro lado, não. Não me preocupo porque sei aquilo que fiz, e acima de tudo eu diverti-me e não cedi a qualquer tipo de pressão, bebi porque queria experimentar e bebi com consciência, não até cair para o lado.

Penso que está na altura de os meus pais assimilarem que eu cresci e sou quase adulta. E por muito que lhes custe admitir, eu não bebi para me divertir (apesar de me ter realmente divertido), ou para agradar a alguém, bebi porque queria experimentar e porque sabia o que estava a fazer.

Vejamos no que vai dar e rezem pela Carlotinha. Porque vos contei isto? Porque sinto que se calhar já podem ter passado por isso. Não foi porque isso faz de mim fixe, ou porque faz de mim rebelde, ou porque faz de mim superior a outros. Não tenho orgulho no que fiz, mas também não tenho vergonha. Aconteceu. A vida continua e não interessa muito o que bebi ou deixei de beber. Estou bem, é o que importa. Espero que os meus pais entendam isso.

 

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