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Chávena de Chá das Cinco

É chávena de chá só que agora bebe-se café

Chávena de Chá das Cinco

É chávena de chá só que agora bebe-se café

#27 Carlota Isabel, mas o que é que vem a ser isto?

Carlota, 11.09.19

Isso pergunto eu! Mas o que é que raio vem a ser esta pequena demonstraçãozinha?

Como sabem (ou caso não saibam ficam a saber), eu comecei o meu 12º ano nesta segunda-feira e deixem só que vos diga que tenho o melhor horário da história do secundário. Tenho as tardes todas livres menos a de terça feira e só vou às aulas quatro dias por semana, por isso digam lá se não é fixe! Para além do mais na terça-feira, as aulas que tenho de tarde são mesmo tranquilas portanto está tudo bem... SÓ QUE NÃO!

Então vocês acreditam que durante todo o meu secundário eu tive sempre três opções diferentes, uma de carne, uma de peixe e uma vegetariana para comer e agora só tenho dois pratos de peixe/ carne (dependendo do dia) e um prato vegetariano (que por vezes tem um aspeto profundamente duvidoso)?! Mas que raio de decisão vem a ser esta? 

Eu não sei quanto a vocês, mas nós, alunos daquela escola, vamos juntar-nos e impiechment com a direção! 

#1 Carlota, então e o agrafador? | Quem é esta?

Carlota, 02.09.19

Lembram-se quando eu fazia o "Carlota Isabel, mas o que é que vem a ser isto?" como uma espécie de rubrica diária acerca do quotidiano de uma adolescente? Bons velhos tempos, eu sei, mas para quem não sabe podem sempre ir ver às tags o que era. Só um apanhado, eu sou uma pessoa cheia de peripécias no meu dia a dia, por isso, decidi criar essa tag para os contar diariamente (e ainda fiz uma quantidade considerável de posts, até).

Enfim, passo por aqui para vos dizer que vou continuar essa rubrica, mas decidi criar outra dedicada ao meu estágio. Como já vos contei, estive a estagiar numa empresa durante umas semanas durante o verão e hoje regressei ao meu estágio que vai durar até janeiro (e não, não vai atrapalhar a escola). Esta é a rubrica onde eu vou contar todas as minhas peripécias no escritório, espero que gostem!

Sem mais demoras, apresento-vos a peripécia de hoje que titulei como "Quem é esta?" e que retrata basicamente a pergunta que mais foi feita relativamente à minha pessoa, inclusive foi feita por pessoas que eu já conhecia e com as quais já tinha trabalhado e até almoçado lado a lado!

Antes demais, vou-vos contar a minha super desinteressante morning routine na qual me levantar uma hora e meia mais cedo que a minha hora de entrada para tomar um duche frio a ver se acordava, me vesti tão fancy como todos os dias normais e fiz a minha maquilhagem (que hoje estava horrível but oh well, fazer o quê, não é verdade?) e bebi tanta cafeína que nem sei a quantidade exata que deve neste momento a circular pelo meu corpo!

Anyway, hoje quando cheguei ao escritório houveram colegas de departamento que não me reconheceram por causa do meu corte de cabelo, o que foi bastante engraçado porque diziam que nem parecia nada a rapariga que tinha lá estagiado durante o verão. Literalmente, durante uns minutos da manhã, houve toda uma discussão em torno do facto de eu ter lá estagiado antes ou não, com um facção a dizer que era só do cabelo e outras a dizerem que provavelmente eu a estagiária nova e não a que lá tinha estado.

Para verem o grau da situação, o porteiro de manhã não me reconheceu e ligou para verificares quem é que raio tinha entrado. Depois, na receção voltaram a dizer que não havia forma alguma de eu ser aquela menina de Julho, o mesmo na reprografia, na cantina e até nos outros Departamentos que eu até tinha visitado algumas vezes. 

Enfim, o balanço de ter voltado até foi positivo, tive um trabalho bem giro e estive a planificar o meu estágio todo até à data final, e a tratar de papelada burocrática que alguém tinha que tratar. Digo-vos que este estágio está a dar-me mais conhecimentos que aqueles que algum dia pensei que ia ter!

Mas bem, contem-me lá como foi a vossa primeira segunda-feira de setembro! Já trabalham ou ainda de férias?

 

#METOO | A minha história

Carlota, 31.08.19

Voltei ao blog recentemente, eu sei. Provavelmente eu não deveria estar a escrever isto agora, mas a verdade é que estão a ver aquele post que deixamos sempre nos rascunhos meio que ao abandono e que toda a gente nos encoraja e nos desafia a publicar? Este é o meu.

Já escrevi posts inteiros acerca disto e sempre os deixei nos rascunhos. Maioritariamente, isto acontecia porque eu tinha demasiada vergonha, demasiada raiva ou até demasiado medo de dizer algo. Mas hoje, após ter recebido notícias chocantes acerca de casos verdadeiramente macabros, assim como após ter ido dar uma volta de carro pelo Porto as memórias do meu sucedido terem passado pela minha cabeça ao ponto de querer dar com a cabeça no vidro para ver se conseguia perder a memória desses eventos. E não, isto não sou eu a tentar ser engraçada, até porque este post não é suposto ser engraçado. É suposto ser tudo menos engraçado. Isto é um facto real, é algo que me aconteceu a mim e que me fez ficar calada durante demasiado tempo.

O que vou contar aqui vai parecer estúpido e pequeno em comparação a certos casos que vemos por aí e, efetivamente, essa é a verdade. Felizmente, nunca tive que passar por aquilo que certas meninas têm que passar e eu fico bastante agradecida por isso todos os dias da minha vida.

O que me aconteceu não ocorreu há tanto tempo assim, na verdade, é relativo. A mim não me aconteceu, a mim tem-me vindo a acontecer e tem-me vindo a acontecer durante muitos anos.

Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e o meu namorado da altura tinha uns amigos que não andavam connosco na escola, logo eu não os conhecia muito bem. Como não os conhecia, eu não tinha muitas confianças com eles, afinal os meus pais sempre me ensinaram a ter atenção a estranhos. Só que ao mesmo tempo, eles não eram estranhos eram amigos do meu namorado.

Foi um namoro curto, extremamente curto. Durou uns três meses e depois acabamos por razões que não vêem muito ao acaso por aqui. O que é certo é que por alguma razão, esses amigos dos quais eu mal me lembrava ter conhecido, achavam que tinham algum direito sobre mim. 

Ness época eu morava em Lisboa e andava numa escola perto de minha casa. Eles faziam exatamente o mesmo caminho que eu. Provavelmente moravam perto de mim, foi aquilo que sempre presumi. O certo é que chegavam a vir o caminho todo atrás de mim a comentar coisas que apenas diziam respeito a mim, coisas profundamente nojentas acerca do que fariam comigo que prefiro não relatar até porque costumo ignorar. Afinal, saiam da boca de adolescentes de 14 anos. Até que um dia um deles me tentou tocar à força, a minha sorte foi que nesse momento alguns vizinhos iam a sair do prédio e eu pude ir.

Até ao dia de hoje não sei os nomes deles. O que eu sei, é que me recordo muito mais do que estou a contar, apenas decidi enterrar as memórias num baú que eu não quero abrir. Hoje, o que aconteceu há uns 2/3 anos já não importa mais porque existiu outro episódio que se passou precisamente este ano e que tirou qualquer importância daquilo que aconteceu, dando todo um novo sentido à minha história e é acerca desse episódio que eu venho falar.

Eu tinha 16 anos, foi durante as férias da Páscoa, mesmo ali a roçar no meu 17º aniversário. Não sei o dia exato e mesmo que soubesse não o diria porque prefiro guardar para mim.

Eu e as minhas amigas tínhamos combinado ir ao Porto, ao centro do Porto, na realidade. Eu fui com uma amiga minha de camioneta, visto que as nossas casas ficavam na mesma carreira, o que fez com que tivéssemos que esperar pela nossa outra amiga e decidimos ficar à espera num sítio visível onde ela não tivesse que caminhar muito para nos encontrar e onde pudessemos ser vistas por ela facilmente - nos Aliados, mesmo à porta do McDonalds.

De repente, veio um rapaz com um ar aprumadinho e com bons ares ter connosco. Essa é outra das diferenças que distingue o último cenário, onde fui assediada por rapazes mais ou menos da minha idade. Aqui, o rapaz já devia ter os seus vintes e eu tinha os meus dezasseis.

Ele começou por questionar se podia fazer uma pergunta ao que eu e a minha amiga respondemos que sim. Na nossa cabeça, ele ia perguntar algo do tipo "Será que me podem dizer como chegar ao Marquês?". Pois, mas não foi nada disso que aconteceu.

A pergunta dele foi se tínhamos namorado o que nós achamos verdadeiramente estranho mas antes que eu pudesse responder a minha amiga respondeu que não por nós as duas. Foi aí que ele começou com propostas indecentes acerca de quartos de hotel, sexo e outras coisas que eu não quero entrar em detalhe. Eu não tinha ouvido o que ele tinha dito porque ele estava a falar demasiado baixo e eu tenho algumas dificuldades de audição, fará no meio de uma das ruas mais movimentadas da cidade! 

Nesse momento ele caminhou até mim e ficou ao meu lado. Pôs o braço em volta de mim e repetiu aquilo que lhe tinha dito a ela. Eu neguei a dizer que não queria nada disso e tentei afastar-me, no entanto, quanto mais eu me afastava mais ele se aproximava de mim. Ele agarrou-me com força e sussurrou-me ao ouvido cada coisa que iria fazer comigo... que me ia fazer. Foi francamente nojento.  Eu olhei para a minha amiga que estava chocada e a tentar pensar naquilo que fazer. Não a julgo nem a condeno porque eu não sei como reagiria na posição dela, o que eu sei foi o que eu senti.

Quando pensei que ele me ia largar, eu senti a mão dele a deslizar pelas minhas costas. Ele continuou a perguntar se eu não queria tomar um café com ele algum dia e eu neguei. Disse-lhe que não bebia cafés e muito menos com estranhos. A mão dele tinha parado na minha cintura, eu tentei que ele me soltasse mais uma vez mas ele não deixou. Foi então que ele sorriu e deslizou a mão dele para me apalpar o rabo. Não foi daqueles apalpões que se dá quando somos crianças tipo beliscões, foi um apalpão de mão cheia. Depois, deslizou a mão mais adentro, tocando nas minhas partes mais intimas.

Por fim, sussurrou-me ao ouvido que se algum dia eu mudasse de ideias que saberia onde o encontrar e mordeu-me o lóbulo da orelha, indo embora.

As lágrimas não vieram logo. Mas a vontade de chorar e de gritar estava lá, apesar de só ter feito isso no meu banho quando cheguei a casa. A minha amiga abraçou-me e nós saímos dali e eu consegui passar o resto do tempo que lá estivemos sem derramar uma lágrima.

Agora está na altura das perguntas alheias tipo o porquê da minha surpresa e da minha amiga. A razão pela qual ficamos assim é porque somos miúdas e acreditavamos que estavamos seguras, afinal era a plena luz do dia, não é?

Devem perguntar-se também porque é que eu não gritei. Estão a ver quando as pessoas dizem que querem gritar mas que não conseguem? Eu sempre acreditei que isso era tudo uma mentira e uma forma de adquirir atenção, tal como muitos pais fazem as suas filhas e os seus filhos acreditam. Mas nestas ocasiões, só sabe quem passou por elas.

Imaginem-se no meu lugar - uma menina que anda no secundário com 17 anos que decidiu ir ao Porto passear com as amigas em plena luz do dia porque já não as via há imenso tempo e tinha saudades delas, sem a mínima ideia que um rapaz completamente aleatório ia chegar a assediá-la em plena praça pública. Nunca ninguém me tinha tocado como ele me tinha tocado, nenhum namorado, nenhum amigo. Sempre tinha ouvido dizer que era suposto gostar e ser agradável, mas por alguma razão para mim não foi, de todo, isso que eu senti. Senti repulsa, senti nojo e senti raiva. Não dele, mas de mim mesma. Fiquei a pensar durante imenso tempo, e quando digo isto, durante semanas a fio perguntei-me porque é que eu não tinha conseguido gritar, porque é que ninguém me tinha ajudado, porque é que eu não tinha conseguido acabar com aquilo antes que chegasse àquele ponto?

Eu nunca obtive resposta para as minhas perguntas e, eventualmente, comecei a conseguir deixar de me sentar sem sentir o toque nojento dele ou as palavras que ele me tinha dito deixarem de soar na minha mente 24/7. A questão é que hoje isso acontece. Ontem acordei de noite aos berros com sonhos acerca dele, sonhos em que ele me tinha feito essas coisas todas e em que eu continuava a dizer que não. Ainda me atormenta, a diferença é que eu vou conseguindo aguentar.

Não disse nada a ninguém no momento, apenas à minha amiga mais próxima horas depois de ter acontecido, quando não conseguia adormecer se não falasse disso com alguém e eu sei que ela está a ler isto e se ela quiser ela pode identificar-se nos comentários porque a verdade é sem ela eu não teria sido capaz de adormecer.

Contei apenas às amigas mais chegadas, às outras três amigas mais chegadas, muitas semanas mais tarde, quando elas efetivamente repararam que havia algo errado comigo e que passava mais tempo a pensar do que o costume. Mais ninguém sabe. Não contei aos meus pais até ao dia de hoje porque não consigo pensar naquilo que eles me diriam.

No entanto, há uma questão. Uma dessas amigas disse que a razão para o rapaz ter colado em mim foi o facto de a minha amiga estar de calças e eu estar de saia. Quando ouvi essa justificação apeteceu-me dizer-lhe das boas e foi isso que eu fiz. Eu não entendia e não entendo até ao dia de hoje o problema de eu ter decidido usar uma saia com uns collants quando fui sair com as minhas amigas para irmos às compras, sendo que eu passo mais tempo de vestido e de saia do que de calças ou calções. Mas isso fez-me sentir culpada e deixei de usar tanto saias e vestidos durante alguns tempos, porque me afetou. Senti como se a culpada tivesse sido eu mas isso sim, isso é treta.

Enfim, eu sei que muita gente vai dizer que estou a inventar mas eu não inventei nada e estou de consciência tranquila. Eu passei por cada uma destas coisas e a pior parte foi que foi alguém maior de idade, com idade para ter juízo, que me fez isto. Talvez tenha pensado que eu fosse maior, talvez não. Não me interessa, é errado na mesma, não faz daquilo que ele me fez algo melhor.

Portanto, pais que pensam que as vossas meninas estão completamente seguras em frente do olho público, fiquem a saber que as pessoas podem ver mas ninguém se envolve. Meter-se para quê, não é verdade? Falem com elas, façam-nas perceber que têm que ter mais cuidado que aquele que elas pensam que precisam de ter, porque eu inocentemente pensei que estava segura e, muitas vezes, o sentimento da segurança é aquele que nos leva às situações mais tristes.

E vocês, meninas e até meninos (sim, porque os meninos também podem ser assediados) que já passaram por isto, fiquem a saber que não têm que sentir-se envergonhados porque vocês não tiveram culpa. Assédio infelimente acontece e, por muito que nos custe admitir, vivemos numa sociedade onde as pessoas não gostam de o admitir porque afinal nós vivemos num dos países mais seguros do mundo, não é verdade?

Por fim, se conhecem alguém que já passou por isto ou se vocês próprios já passaram por isto, fiquem a saber que não estão sozinhos porque #metoo.

 

 

P.S.: Se tem erros ortográficos ou erros na construção frásica, deal with it porque eu não reli e não revi o post porque simplesmente não tive a estrutura psicológica para o fazer. Desculpem pelo possível incómodo.

 

 

 

 

Isto de escrever um livro

Carlota, 30.08.19

Escrever um livro tem muito que se lhe diga. Não vou ficar aqui a dizer que o meu livro é uma obra de arte, até porque não penso isso, mas mesmo que pensasse seria suspeita, afinal não posso julgar algo analiticamente sendo que fui eu que o escrevi.

Ao longo do meu tempo por outras bandas tenho vindo a escrever uma comédia romântica com os meus devaneios do costume. Diria que sou uma daquelas pessoas que faço personagens inspirados nas pessoas que me rodeiam, até porque sou demasiado egocêntrica para não o fazer. Isso e quando comecei não me sentia qualificada para escrever sobre realidade que não conheço.

Depois de perto de um ano de ter começado, tive muitas ideias mas não escrevi tantas quanto as que gostava de ter escrito por diversos motivos - procrastinação, nostalgia, falta de tempo e o famoso writer's block, que deixem só que vos diga, é uma bitch.

Não obstante, algo que me irrita é que o par romântico tem um problema - a história é toda contada segundo o ponto de vista dela, mas eu gosto muito mais de o escrever a ele. É curioso, eu sei, mas também não vou mudar porque já comecei e porque tenho outros planos com ele (sim porque eu não sei viver o momento, só sei mesmo é pensar num futuro paralelo com uma realidade fictícia que pode muito bem nunca vir a realizar-se. E antes que pensem, não é lançar o livro um dia e adaptarem isso para filme... isso é o que as minhas amigas sonham, não necessariamente eu).

Pronto, já passei meses sem escrever uma palavra e outros meses que num dia escrevia aí uns dois ou três capítulos. Não sei.

Escrever um livro não é fácil. É difícil criar algo quando nós próprios precisamos de um clique para continuar e bem, sem clique não há livro... pelo menos não até daqui a uns 10 anos e é a correr bem.

Enfim, sinto-me frustrada hoje mas vou canalizar isso para escrever.

Vejo-vos amanhã e (hopefully) com um mood muito melhor que este.

Setembro e isto das reentradas

Carlota, 29.08.19

Como já sabem, eu sou uma daquelas pessoas que pensa demais quando não tem muito porque pensar nas coisas sobre as quais pensa demais. Estão a ver como ainda agora acabei de fazer isso ao não fazer sentido nenhum e ficar a pensar se fiz ou não?

Enfim, penso que também é do conhecimento dos visitantes mais antigos que sou uma pessoa que não considera janeiro o início de algo. Em parte porque a minha vida não muda lá grande coisa, a única coisa que muda é que fico sempre com mais frio e que me engano a escrever a data até ao fim do ano. Por acaso, até é curioso o facto de eu fazer isto porque cada vez que vou escrever a data eu estou a pensar e a mentalizar-me que tenho que escrever a data atual e não escrever o ano passado, mas por alguma razão esqueço-me a meio ou sou apanhada desprevinida e pronto, lá vou eu ter que riscar ou por corretor em cima. Isso ou escrever por cima, porque maior parte das vezes tento emendar o meu erro, o que acaba por se tornar pior porque o número sobreposto fica ilegível tipo borrão no meio da folha. 

Mas parando de divagar, o que é um problema que já me convenci que é crónico e me torna uma pessoa extremamente cansativa de ouvir/ler (ainda estão aí?, hoje vim falar de setembro.

Setembro é, para mim, o início de um novo ano. Em parte porque compro material novo, em parte porque levo uma jorrada de anúncios na televisão que me dizem que algo novo está por vir, e depois porque só a sensação de um recomeço faz-me sentir que outro ano está por vir. Não sei se o efeito acabará por passar quando for para a universidade ou quando simplesmente for trabalhar, de qualquer forma, é essa a sensação que tenho no momento.

Ao contrário de maior parte da população, eu até gosto de Setembro. Na verdade, a minha parte favorita do ano é entre Setembro e Dezembro porque simplesmente sinto-me com energia e toda a questão de dizerem que já só faltam x meses para o natal também contribui para esse facto. Além do mais, Setembro é sinónimo de Outono (ou pelo menos um dia foi assim, agora tenho vindo a receber relatórios confusos) e eu adoro o Outono. Está bem que Setembro traz a escola, mas eu até gosto de voltar à escola, dentro do possível, óbvio. Se bem que este ano não estou a sentir essa parte, mas isso são outros quinhentos.

Com isto tudo já divaguei mais ainda, mas o que eu tentei dizer é que isto de Setembro torna-me particularmente pensativa. Eu gosto deste mês precisamente por isso, ajuda-me a colocar as coisas em perspetiva e, dado o último ano, eu precisava de algo para me por em perspetiva.

E pronto, acho que me alonguei demasiado (e me perdi também), nos meus pensamentos alheios. Não sei se alguém comunga dos mesmos ideais que eu, mas pronto, fica registado o meu juízo.

Update | Os Exames, os meu Verão e outras coisas que tais

Carlota, 28.08.19

Olá!

Bem, parece que ao fim de alguns meses (até tenho medo e vergonha de os ir contar), decidi passar por aqui para dizer um olá. Não vim dar explicações até porque sinto que não há nada que eu possa dizer exceto a vida aconteceu.

Ser blogger foi algo muito importante para mim outrora, tinha outras prioridades e a minha vida estava num ponto em que eu tinha verdadeiramente tempo para andar por aqui ativamente. Hoje em dia, o tempo é escasso e depois do último ano, o facto de não ter apanhado o comboio para outra galáxia já é uma conquista.

Mas bem, posso dizer que já sentia a falta de escrever aqui, mas acima disso, senti falta do que significa - escrever em português. É verdade, escrever não deixou de ser uma parte essencial do meu dia, apenas comecei a escrever noutro sítio, noutra língua. 

Enfim, não comecei a escrever isto para me vitimizar, até porque não tenho quaisquer razões para me vitimizar. Vim aqui para fazer aquilo que sempre fiz - rebobinar a cacete sobre aquilo que acontece no meu dia a dia, mas dado que estive ausente durante meses, vou dar um update dos últimos meses.

Ora portanto, o meu último post foi no dia 19 de maio (eu sei, eu disse que não ia ver mas desculpem, já sabem que eu não tenho controlo sobre mim própria). Portanto, já sabem que fiz 17 anos em abril e que pintei o cabelo, o que não sabem é que entretanto o cortei acima do ombro. Também, como haveriam de saber? Nem o pessoal da minha escola sabe! Afinal, cortei há poucos dias e vocês já sabem o quão bicho do mato eu sou que nem postar uma foto no Instagram eu posto!

De qualquer modo, queria que ficassem a saber que para mim cortar o cabelo é sempre um marco importante. Eu corto o cabelo cada vez que inicio uma nova fase porque me dá outra perspetiva das coisas (sou estranha eu sei, vocês também portanto já não é nada de novo) e bem, agora tenho uma perspetiva nova acerca do 12º ano.

Isso é outra coisa que vos ia falar. Pois é, pelos vistos parece que vou para o 12º ano e que este vai ser o meu último ano! E agora vocês pensam para quê cortar o cabelo para iniciar uma fase nova quando estás no 12º ano?  Pois... sucede-se. Talvez no próximo ano corte também mas não sei se alguma vez vos contei que eu tenho uma panca - para além de cortar o cabelo para iniciar novas fases, eu corto o cabelo em cada Verão de um ano ímpar.

Como eu disse, são pancas.

Mas bem, parece que este é o meu último ano e bem, quando comecei o blog andava no 10º ano, por isso podemos dizer que este blog acompanhou grande parte do meu secundário! Talvez tirando os exames. Só de mencionar a existência deles, apetece-me atirar-me da janela de um arranha-ceús.

Basicamente, podemos dizer que não sou propriamente boa a fazer exames. Eu simplesmente não consigo... pelo menos não como gostava de conseguir fazer, sendo que atingi resultados nada satisfatórios... mas bem, há sempre o próximo ano, não é verdade?

Enfim, já chega de falar de exames que isso nem é bom! Só de pensar dá-me vontade de vomitar... não que fosse a primeira vez, mas isso aí já faz parte...

Mas bem, que mais fiz durante este verão?

Ora, uma coisa interessante que efetivamente é interessante e que pouca gente faz é um estágio. Isso mesmo, eu fui estagiar para um Departamento de Recursos Humanos. Ah pois, aos 17 anos a pessoa aqui abdicou do verão para estagiar e ganhar experiência. Aliás, na segunda-feira bato lá com os costados outra vez!

O que me leva a dar-vos outra novidade! Eu agora até bebo café!

Confesso que não é a minha bebida preferida mas quando me evita de colapsar contra o teclado do computador a meio da manhã, uma pessoa agradece, bebe de golada e ainda aprende a apreciar. Se bem que a última parte é um processo em melhoria.

Eu depois posso sempre contar-vos mais acerca do meu estágio, mas isso depois fica para outro post.

Enfim, acho que já foi um update vago o suficiente para contar mais detalhadamente aqui e ali, mas ao mesmo tempo acho que foi grande o suficiente para abordar muita coisa. 

De qualquer forma, vamos ter que me dar os parabéns por não ter dito uma palavra inglesa durante este post todo! Porque ponto número um, isso é meio inédito por estas bandas, e porque ponto número dois, eu tenho vindo a escrever mais inglês que outra coisa.

Bem, até à próxima e passem bem...

 

 

P.S.: Já nem sequer sei acabar um post em condições, que vergonha!

 

Cativeiro

Carlota, 19.05.19

Ora, já lá vão uns meses largos desde que abri a loja. Tem estado fechada e a apanhar pó, tanto pó que quando a abri, confesso já não me lembrar de como era.

Não me lembrava das cores, do tipo de posts ou das pessoas (algumas). Fui embora e fechei a porta sem olhar para trás, posso dizer que hibernei e fiquei em cativeiro durante este tempo todo. Sem dar notícias, sem querer ser encontrada. 

Saí de Lisboa, estabeleci-me no Porto e depois andei para aqui. Durante os últimos meses, tenho sido apenas mais uma rapariga que entra num autocarro dos STCP e vai do colégio para casa. Sinceramente, nem isso tenho feito, visto que ando maioritariamente de carro, mas em época de exames, não sei o porquê, acabo sempre por ficar na minha.

Orgulhava-me de ser a única ruiva do autocarro, ou mesmo do colégio, mas agora já nem isso eu sou. Deixei o meu cabelo ruivo estilo Sansa Stark em Game of Thrones. Pintei-o de castanho e fiz madeixas caramelo, de forma a clarear a cor de cabelo. Nunca gostei de cabelo escuro.

Durante os últimos meses passei por situações muito positivas, das quais fico muito orgulhosa e feliz, por outro lado, passei por umas experiências traumatizantes, que faço questão de contar quando estiver pronta. 

No geral, apesar dos traumas, sinto-me feliz. 2019 tem sido amável comigo, a vida corre bem em quase todos os aspetos e sinto-me a rapariga que um dia foi, mas que se perdeu quando tomou decisões erradas. Depois de tanta mágoa e tragédia na minha vida (2018, cof cof), depois de tanta confusão e tanta infelicidade, posso dizer que encontrei o caminho para a felicidade.

Há dias maus, como há sempre. Mas posso afirmar que fazendo a análise destes últimos meses, maior parte dos dias têm sido uma benção e eu tenho sido sortuda. 

Já tenho 17 anos feitos. Posso dizer que foi um aniversário que compensou o 16º. Tive tudo aquilo que esperava poder ter (e mais ainda), a nível emocional e material, e tive a confirmação de que já nada mais importava a não ser a minha felicidade e eu própria.

Enfim, há tanta coisa por dizer, tanta coisa por fazer, e também tanta coisa que gostava de poder confirmar mas que sou incapaz de o fazer...

Foi um post estranho e sem contexto, confesso. No entanto, foi o que me saiu no momento, e assim, digo-vos um breve olá.

#26 Carlota Isabel, mas o que vem a ser isto?

Carlota, 23.01.19

Enfim, tiveram saudades desta rubrica maravilhosa que esteve em suspenso desde novembro? Eu sei, eu sei, demasiado tempo sem ouvirem falar das minhas peripécias diárias. Mas não se preocupem mais, que agora a Lotinha está aqui!

Podia falar deste tempo deficiente, mas não é disso que me apetece falar. Podia falar da escola, mas não quero entrar em assuntos deprimentemente tristes neste momento. Não venho levantar problemas (não muitos, quero dizer). Hoje venho falar de outra coisa - soja.

"Soja?". Sim, soja. Experimentei leite de soja e digo-vos estão a ver o que é beber água? Não tem muito sabor, uma pessoa só bebe porque pronto é mais que necessário. Tal e qual. Senti que estava a beber água.

Se repetia? Sim, porque tenho que acabar o pacote. Se voltaria a comprar? Nhe, vamos deixar para as outras pessoas...

 

Olá, eu estou viva!

Carlota, 22.01.19

Vamos dar uma salva de palmas ao primeiro post de 2019, minha gente! Eu sei, eu sei, tenho andado desaparecida e cada vez mais sou mais desnaturadas, mas como alguém por estes lados me disse muito sabiamente... a vida simplesmente acontece.

A verdade é que também estive a deixar este post em banho maria. Tive algum tempo (ainda que pouco), mas parecia que quanto mais escrevia, mais me apetecia apagar tudo de novo. E assim, só agora, já contribuí para o aumento do número de posts nos Rascunhos. Andei à procura de algo que eu fosse gostar, andei à procura de coerência, mas pelos vistos parece que essa velha amiga foi tomar café e se perdeu... nunca mais voltou...

Este ano, ao contrário do ano anterior, não partilhei nada. Não partilhei a minha Passagem de Ano (se bem que se quiserem mesmo saber, vos adianto que caí no primeiro minuto do ano enquanto os meus pais gravavam e a minha mãe dança, sabe-se lá porquê, Tony Carreira), ou sequer as minhas resoluções para este ano? Aliás, se querem que vos diga, optei por ignorar um pouco a temática. Pela primeira vez, não fiz uma lista de resoluções. Estabeleci algumas metas, como é óbvio, mas recusei-me a escrever e a muito menos publicar uma lista com as minhas expectativas para este ano. Prefiro o elemento da surpresa, sinto que adiciona outro sentimento às situações por vir.

Mas bem, devem perguntar-se como é que a coisa está a correr? Vai andando, que a minha vida é como eu, muito pouco amiga da corrida (espero que tenham apreciado a primeira piada mais seca que um deserto do ano). Tem sido um ano mais desafiante em todos os níveis. Se isso é necessariamente bom ou mau? Talvez seja uma mistura dos dois... não posso dizer que sei com certezas.

Enfim, só passei aqui para dizer o primeiro (e atrasado) "Olá, estou viva e bem de saúde!". Isso e também vos quero vir desejar a continuação de um bom ano, que espero que tenham. 

 

A letter to 2018

Carlota, 31.12.18

Dear 2018,

Já passou um ano desde o dia em que te disse um "olá". Posso dizer que não fomos muito amigos e que, para muito lamento meu, preferia nunca te ter conhecido. Desculpa a sinceridade, mas já conheci outros anos com os quais me dei melhor. Mas bem, eu ambos sobrevivemos 365 dias juntos, portanto temos que estar de parabéns por isso.

Confesso que esperava mais de ti. Desde criança que sabia que, em 2018,  eu teria os meus 16 anos feitos e, portanto, acabei por criar muitas expectativas relativamente a este ano que, como já era de esperar, não se concretizaram.

Ainda assim, devo dizer que me enriqueceste como pessoa de um modo muito valioso e mostraste-me um lado da vida que eu não conhecia, acabando por acompanhar o meu processo de descoberta. Aprendi a lidar com outras dificuldades, aprendi muito sobre mim... graças a ti.

Este ano, meu estimado 2018, foste um dos maiores desafios da minha vida. Viste-me em estado miserável, é um facto, mas mostraste-me como me levantar. Amadureceste-me. Obrigada.

Deste-me primeiras experiências que também nunca vou esquecer e contribuiste para a minha descoberta pessoal e para a minha realização a todos os níveis. Podia ter corrido melhor, mas foi um bom ano.

Assim, obrigada por teres sido uma lição de vida para mim, obrigada por insistires comigo e por me trazeres experiências inesquecíveis. Acima de tudo, obrigada por contribuires para eu me aceitar como sou porque, parecendo que não, tiveste dos maiores contributos nesse campo.

Vejamos o que me trará 2019. Adeus.